A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 30/09/2019

O “jeitinho brasileiro” é uma expressão que está fortemente popularizada na sociedade e denota uma maneira de alcançar benefício próprio á qualquer custo; dar um jeito de solucionar as situações cotidianas, ainda que para isso seja necessário cometer alguma desonestidade ou prejudicar alguém. Nesse contexto, essa prática nasce juntamente com o período colonial e ainda persiste nos dias atuais por ser um ideal profundamente enraizado nos diversos setores da sociedade e, por isso, de difícil superação.

Em primeiro lugar, o “jeitinho” é uma herança do colonialismo português que no século XVI, explorou as terras tupiniquins e os nativos nativos, sem o objetivo de devolver qualquer benefício cultural, educacional ou social ás terras exploradas. Nessa perspectiva, foi perpetuado no imaginário local o ideal de que, em favor do benefício próprio, tudo pode ser realizado, ainda que resulte em consequências desastrosas para outras pessoas. Esse cenário se estendeu à atualidade, sendo comuns situações como “furar” fila ou “passar cola” na escola, até eventos grandiosos como a corrupção política. Em vista disso, o “jeitinho” desonesto de ser está impregnado em todas as camadas da sociedade brasileira.

Como segunda análise, não são poucas as situações nas quais as pequenas desonestidades são notadas na vida cotidiana da população brasileira. Prova disso, a revista Readers Difest realizou um teste na cidade do Rio de Janeiro, espalhando 12 carteiras com dinheiro pelas ruas, a fim de analisar a reação dos cidadãos ao encontrá-las. Nessa experiência, apenas 3 carteiras foram devolvidas, o que reafirma a dificuldade de boa parte dos brasileiros de deixarem o “jeitinho” desonesto de ser.

Pode-se dizer, portanto, que no Brasil persiste cotidianamente uma postura de benefício próprio em detrimento do bem-estar do outro, popularizada como “jeitinho brasileiro”. Desse modo, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, dê ênfase ao surgimento do “jeitinho brasileiro”, na educação curricular, a fim de desmistificar essa prática cultural tão enraizada, de modo a poder modificá-la, afinal, só é passível de mudança o que se conhece bem. Além disso,  Secretaria Especial de Comunicação deve promover campanhas na mídia televisiva e em outdoors, com a finalidade de alertar a população acerca dos malefícios do “jeitinho brasileiro” para a nação, reafirmando valores como doação e compaixão. Desse modo, o Brasil estará mais próximo do jeito solidário de ser, que é fazer o bem sem esperar nada em troca.