A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 04/10/2019

Desde o período do Renascimento, onde o individualismo evidenciou-se, o coletivo cada vez mais ficou em segundo plano na sociedade. O capitalismo, por conseguinte, tornou ainda mais intenso este cenário. Entretanto, quando evidenciada a sociedade brasileira, este individualismo ganha um nível ainda mais intenso, no qual o indivíduo torna-se dissimulado para conseguir benefícios. Este quadro persiste, alimentado pelos problemas educacionais que não solucionam a herança colonial negativa.

É indiscutível a ligação entre os problemas educacionais e esta problemática, uma vez que o “jeitinho brasileiro” já esta implementado na sociedade e a educação é a única forma de evitar o determinismo. Na genealogia da moral Nietzsche destaca que “aquele que luta contra monstros deve acautelar-se para não tornar-se monstro”. É nesse sentido que a educação é pivô, já que para evitar a propagação em cadeia dos benefícios políticos, atestados médicos comprados, entre outros frutos deste quadro, é essencial o fortalecimento do senso crítico, adquirido por meio do estudo das ciências humanas, por exemplo.

Analisar e entender os frutos históricos do “jeitinho” nas escolas é indispensável, haja vista que por um lado criticamos o coronelismo, por outro realizamos ações análogas. Sergio Buarque de Holanda destacou o brasileiro como o Homem Cordial, um mantendedor de máscaras que busca com isso obter sua superioridade no meio social, e portanto, dissimulado. Esta cordialidade é fruto direto do coronelismo, sistema onde os coronéis concediam benefícios - que deveriam ser fornecidos pelo estado - mas que os coronéis forneciam em troca de voto.

Cabe ao Governo, portanto, realizar medidas que tenham como intuito dirimir os problemas associados aos benefícios imorais concedidos, utilizando a educação como arma. Amparado pelo Tribunal de Contas da União, cabe ao Ministério da Educação investir em palestras, que mostrem a importância da manutenção das regras morais, para o andamento do coletivo. Trazer pensadores famosos para aproximar os alunos pode ser uma ferramenta poderosa. Além disso, é necessário realizar uma reforma do ensino médio, fornecendo bases para criação de senso crítico.