A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 10/10/2019
A persistência do ‘‘jeitinho’’ na sociedade brasileira
A expressão “jeitinho brasileiro” é algo negativo que muitos brasileiros têm. Ele se refere às manobras realizadas pela maioria da sociedade brasileira como forma de se dar bem a todo custo. Essa expressão surgiu em 1946 quando o médico húngaro Peter Kellemen veio morar no Brasil e se surpreendeu com as medidas realizadas pelo cônsul José de Magalhães para facilitar seu visto. Muitas vezes, essa lábia que diversos brasileiros têm, acaba prejudicando outras pessoas que estão na volta de quem realiza esse ato, uma vez que esses indivíduos podem perder dinheiro, entrevistas de emprego, lugar nas filas de hospitais, entre outros problemas.
De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), feita entre 17 e 21 de setembro de 2012, a percepção dos entrevistados em relação a forma de agir do brasileiro reflete o jeito com que tratamos as pessoas, mesmo as mais próximas do círculo afetivo: 82% acham que a maioria age querendo tirar vantagem, enquanto só 16% dos entrevistados acham que as pessoas agem de maneira correta. A pesquisa aponta ainda que o Nordeste é a região onde as pessoas mais acreditam estarem sendo passadas para trás. São 89% os entrevistados que acham que os outros querem tirar vantagem e só 9% acreditam que as pessoas agem de maneira correta. Em seguida, vem o Sul, com 85% de grau de desconfiança, seguido pelo Sudeste (81%) e Norte/Centro-Oeste (71%).
Para Rachel Meneguello, “o alto nível de desconfiança, mesmo entre pessoas próximas, aponta para a fragilidade das relações sociais. Em contextos, em que mesmo entre os grupos mais próximos a relação é frágil, estamos diante de situações em que o tecido social está esgarçado.”
Com os dados acima nota-se que esse é um problema sério e que precisa ser combatido urgentemente. Esse improviso para se dar bem em diversas situações é o primeiro passo para ações mais sérias, como a corrupção, por exemplo. Tendo em mente essas questões, o Governo, em parceria com a Polícia Militar devem criar medidas mais severas para quem realiza esses atos e com isso diminuir o número de praticantes. O Ministério da Educação deve realizar palestras sobre o tema e discutir com os estudantes sobre ele. E pais ou responsáveis devem educar seus filhos a sempre desenvolver a empatia e solidariedade com o próximo. Assim, a sociedade será mais justa e igualitária para todos, sem que seja necessário o uso de artimanhas para isso.