A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 08/10/2019

Acerca da expressão “jeitinho” em nossa sociedade entende-se por transgressão de regra a fim de conseguir algum privilégio, segundo o antropólogo Roberto DaMatta. Entretanto, esse exemplo torna-se superficial quando avaliamos as diversas implicações dessas atitudes. Atualmente, o termo “jeitinho brasileiro” é algo totalmente pejorativo e que persiste enraizado na sociedade brasileira até mesmo como sinônimo de corrupção. Com isso, evidencia-se a necessidade de combater os males provenientes dessa característica peculiarmente brasileira.

Em primeiro lugar, segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser feita de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado. Contrariamente a esse pensamento, os brasileiros não veem problemas em burlar pequenas normas e até legitimam atos semelhantes. A problemática está no fato de ser injusto para aqueles que seguem a regra e acabam sendo prejudicados. No entanto, o que os brasileiros não percebem é que pequenas atitudes como furar uma fila num banco explicam atitudes maiores como desvio de dinheiro público, sonegação de impostos, etc. Dessa forma, dificulta-se o equilíbrio proposto por Aristóteles.

Além disso, é importante relacionar o “jeitinho” com a corrupção generalizada que faz parte da realidade brasileira há muito tempo. A mania de ganhar vantagem em todas as situações é normal entre os brasileiros e isso é reconhecido mundialmente como característica exclusivamente brasileira. Todavia, outra peculiaridade brasileira que torna o país diferente de muitos é a corrupção exacerbada em praticamente todas as suas instituições. Desde a igreja ao Congresso Nacional, sempre há alguém querendo “sair por cima” e os prejuízos dessa corrupção são reflexos da miséria, do desemprego e da baixa qualidade de vida no Brasil.

Portanto, entende-se, que o mal do brasileiro é o próprio brasileiro e medidas precisam ser tomadas a fim de mudar essa perspectiva. Primeiramente, as escolas devem adicionar no ensino atividades que evidenciem a cultura brasileira e que proponha uma visão moral do jeitinho com intuito de mudar as atitudes desde a infância para que a criança cresça sabendo que não é certo. Somado a isso, o governo deve criar leis mais rigorosas para quem comete atos corruptos, por mais insignificantes que sejam, para que a moral brasileira seja reconstruída e que a sociedade passe a punir tais atos. Assim, o equilíbrio proposto pelo filósofo Aristóteles será gradativamente alcançado.