A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 20/11/2019
Jeitinho Brasileiro
A capacidade de contornar situações e a recorrência de manobras previamente elaboradas, cujo fim é esquivar-se de problemas, configuram o chamado Jeitinho Brasileiro, no Brasil. Com raízes culturais que remontam à colonização do país, o jeitinho, embora também relacionado à capacidade do povo tupiniquim se adaptar aos acontecimentos mais inesperadas, se sobressai negativamente.
Em primeira análise, cabe pontuar que a lenta mudança na mentalidade social contribui significativamente para a prevalência de valores éticos e morais deturpados na sociedade contemporânea brasileira. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, percebe-se que a conduta humana é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo. Logo, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social corrompido, em que os princípios morais são convenientemente manipulados para benefício próprio – o famoso “jeitinho brasileiro”-, há uma tendência de que esse seja o comportamento adotado e culturalmente aceito por gerações.
Ademais, deve-se salientar que a educação básica é diretamente responsável pelo caráter do indivíduo. Segundo Thommas Hobbes, o homem nasce mal e necessita de uma doutrinação para adaptá-lo à sociedade. Entretanto, a atual estratégia pedagógica utilizada opera com um direcionamento voltado para a formação intelectual dos alunos, se desligando do papel social, e contribuindo para essa índole que grande parte dos cidadãos possui.
Fica nítido, portanto, que o jeitinho brasileiro na política é um grande problema que legitima de maneira direta ou indireta a corrupção dos políticos de nossa nação. Porém, os gestores públicos devem atenuar esse problema, influenciando a educação mantendo os programas sociais e expandindo-os e por outro lado a sociedade civil deve fazer cobranças e fiscalizar os seus direitos a fim de garanti-los.