A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 16/10/2019

O filósofo Immanuel Kant, dizia que ninguém deve usar outrem para atingir fins particulares. Contudo, tal preceito não é correspondido na sociedade brasileira contemporânea, dado que atingir de forma desonesta se transfigurou em algo tanto amplamente aceito, quanto parte integrante da cultura do país. Faz se necessário a discussão acerca da persistência do “Jeitinho Brasileiro”, de modo a mudar a perspectiva social e liquidar tal conduta negligente à etica Kantiana.

Entende-se como “jeitinho brasileiro” a forma que o povo brasileiro tem de improvisar soluções para situações complicadas. A crise política, no Brasil, fez muitos cidadãos questionarem o que há de corrupto em seu próprio dia a dia, refletindo, se políticos e empresários não estariam apenas reproduzido em maior escala, aquilo que já é parte do cotidiano. O cultuado “jeitinho brasileiro” costuma ser usado para burlar regras, furar filas e sempre se sair melhor do que a pessoa ao lado. em uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 57% da população acredita que há poucos motivos para seguir as leis e convenções no Brasil. Isso está relacionado a desconfiança que as pessoas têm no cumprimento das leis e nas péssimas consequências de suas ações.

De acordo com o antropólogo Sérgio Buarque de Holanda, o “jeitinho” pode ser atribuído a um suposto caráter emocional do brasileiro, “o homem cordial”- pessoas que são movidas pela emoção e que colocam de lado a ética e a civilidade. O “jeitinho” que é isso menos negativo dos brasileiros não ser atenuado, enquanto o estado não pautar a educação na responsabilidade de forma que contribua para o convívio em sociedade. Furar fila, colar na prova, estacionar em vaga especial são formas de escapar das formalidades e burocracias existentes, demonstrando a dificuldade de o brasileiro lidar com situações formais e rígidas, não pensando nas pessoas que serão prejudicadas e nem nas consequências de tais atos.

O existencialismo, doutrina filosófica surgida na França, no século XX, a liberdade de escolha é refletida nas condições de existência do ser. Assim sendo, cabe ao homem ser responsável por suas atitudes. É plausível que o estado, por meio do Ministério da Educação, contemple no currículo básico componentes para formação cidadã e ética, além de palestras e campanhas que trabalhassem temas sobre o valor da honestidade e do respeito, instruindo e moralizando, levando a uma valorização de uma conduta ética no cotidiano.