A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 21/10/2019
“Já falei pra você que malandro demais vira bicho e também te falei pra você parar com isso. A priori, na música do sambista “Bezerra da Silva” percebe-se a alusão a uma figura quase que folclórica no Brasil, que é o malandro, ou seja, a manifestação urbana do jeitinho brasileiro. No entanto, sabe-se que essa prática é prejudicial para a nação, pois promove o atraso político e econômico nacional uma vez que leva alguns representantes do Estado a querem tirar vantagem sobre a população, além de muitos cidadãos almejarem prosperar ás custas do aparato governamental. Diante disso, medidas são necessárias para combater esse mal enraizado.
Primeiramente, segundo o antropólogo Roberto da Matta na política brasileira tem-se o problema na identificação do “limite entre o público e o privado”, ou seja, muitos políticos se utilizam dos recursos do Estado para benefício próprio e isso vai desde a prática de nepotismo, até casos de desvio de bilhões de reais. Desse modo, percebe-se que a prática do “jeitinho” na área da administração pública traz malefícios para a população, a exemplo disso, tem-se a atual “Operação Lava-Jato”, onde diversos governantes e ex-governantes foram presos pelo roubo de centenas de bilhões de reais, fato esse que foi responsável por levar o Brasil a uma das maiores crises econômicas de sua história.
Além disso, a prática do “jeitinho brasileiro” não se restringe somente à classe da administração pública, uma vez que é uma prática bem recorrente no dia-a-dia da população. Assim, segundo reportagem do jornal Fantástico - em 2019 golpes aplicados na previdência social causaram o prejuízo de milhões de reais aos cofres públicos - fato esse que prejudica o desenvolvimento da nação e resulta em estagnação econômica. Outrossim, de acordo com o antropólogo Sérgio Buarque - o Brasil sofre que um grave problema de frouxidão organizacional e torpeza moral - e isso colabora para o grande número de casos de corrupção, ao passo que para mudar essa realidade é preciso agir na raiz do problema.
É necessário, portanto, a aplicação de medidas que combatam essa prática nas diferentes esferas da sociedade. Então, cabe ao Legislativo promover o fim da corrupção Estatal, por meio da aprovação de leis mais severas contra esses casos, como o pacote das 10 medidas anticorrupção, e ainda investir na contratação de funcionários para tornar a investigação mais efetiva, com intuito de desencorajar atos contra os cofres públicos. Além disso, cabe aos Ministérios da Justiça e da Educação trabalharem para acabar com a cultura do “jeitinho”, por intermédio de aumento do aparato fiscalizatório em serviços públicos, e também investimento em políticas educacionais como: educação cível deste cedo nas escolas e propagandas televisivas conscientizadoras dos malefícios dessa prática.