A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 27/10/2019

Segundo o antropólogo brasileiro Roberto DaMatta, o “jeitinho brasileiro” é a maneira adotada pelo povo, principalmente pela parcela mais afetada economicamente, para compensar as desigualdades sofridas e, a partir disso, obter vantagens a fim de se equiparar a parte mais rica da população. Desse modo, a persistência do “jeitinho” na sociedade acontece tanto pela herança colonial do país ou pela enorme desigualdade econômica.

Em primeiro plano, as relações entre Brasil colônia e Portugal metrópole apresentam-se como uma das principais causas para a existência do “jeitinho”. Isso ocorre pois, com o descobrimento do Brasil em 1500, a metrópole enviou para o território recém descoberto diversos exilados e criminosos que, por sua vez, povoaram o Brasil. Dessa forma, desde a época colonial, as gerações futuras receberam direta influência desses renegados e, consequentemente, houve a instauração de uma cultura no país em que quebrar a lei a fim de obter vantagens não era mal vista. Isso pode ser comprovado pelo descumprimento do pacto colonial, que fora estabelecido por Portugal a fim de ser o único a receber as riquezas exploradas no território brasileiro, em que o povo da colônia, durante décadas, comercializou com outros países com a finalidade de obter maiores lucros.

Além disso, a desigualdade econômica vigente no Brasil favorece a permanência do “jeitinho” na sociedade. Isso acontece pois, segundo Roberto DaMatta em seu livro " O que faz o Brasil, Brasil?", a população mais pobre busca, de maneiras ilegais, formas de obter benefícios próprios, a fim de driblar essa disparidade econômica. Dessa maneira, ocorre o estabelecimento de uma cultura de transgressão as leis no país, visto que essa é a forma encontrada por muitos cidadãos de obter vantagens. Por consequência, o “jeitinho” torna-se cada vez mais “incrustado” na sociedade brasileira.

Infere-se, portanto, que o povoamento do Brasil e a enorme disparidade econômica vigente no país contribuem para a persistência do “jeitinho”. Urge, portanto, às Escolas, responsáveis pela formação do pensamento crítico das crianças, abordar os erros históricos do povo brasileiro, a partir da organização de palestras apresentadas por historiadores, com o objetivo de formar cidadãos que não adotem os aspectos negativos deixados pela herança colonial. Ademais, é imperativo que o governo, entidade responsável por garantir os direitos de cada indivíduo, gere empregos para a população, o que pode ser feito ao desburocratizar o processo de criação e estabelecimento de empresas no país, com a finalidade de combater a desigualdade econômica. Assim, pode-se combater a persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.