A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 04/11/2019
O “Jeitinho” de se Ver
O famoso “jeitinho brasileiro” é um famoso estereótipo comum em nosso país. Ele se refere à crença popular de que o brasileiro médio é acostumado a encontrar formas diferentes de solucionar problemas e lidar com situações, possivelmente de forma corrupta ou desonesta. Esse conceito é aplicado para coisas simples, como ficar com o troco a mais que o balconista devolveu, até para coisas mais grotescas como escândalos de corrupção nos três poderes do Estado. Essa expressão é nada mais do que uma forma de se auto diminuir o Brasil frente a outros países. É, portanto, uma visão de que o brasileiro é inferior moralmente a populações de outros países. Mas essa visão é realmente a mais correta?
O Brasil tem um sério problema de identidade: todos vêm o Brasil como horrível, até mesmo os próprios brasileiros. Porém, infelizmente essa visão distorcida da realidade é compreensível: escândalos de corrupção são cada vez mais comuns, sendo a noticiação desse tipo de crime algo cotidiano. Chega-se ao ponto de que, se o crime não envolver vários milhões de reais desviados, não é suficientemente grande para ser noticiado, o que é um completo absurdo. Além do mais, em várias situações mais populares é fácil notar algumas culturas erradas do brasileiro, como jogar lixo no chão, mentir para conseguir um emprego, ser desonesto para conquistar um parceiro amoroso, dentre outras. Porém, será que essas coisas são problemas exclusivos do Brasil? Outros países, até os mais desenvolvidos, não enfrentam problemas com o lixo, fraudes trabalhistas e, comicamente, desilusões amorosas? A resposta é, evidentemente, um enfático não.
A sociedade brasileira se acostumou a ver a si mesma como incorrigível, aceitando o “fato” de que o brasileiro tem a tendência natural de exercer pequenos atos de corrupção, ao mesmo tempo que condena os grandes. Isso se tornou algo tão natural que a expressão “jeitinho brasileiro” chega a ser utilizada como sinônimo de destreza e esperteza frente a adversidades, mostrando o estado estúpido em que chegamos.
Ao invés de vermo-nos como um povo moralmente sujo, idiota e corrupto, deveríamos parar de ter autopiedade e reagir a isso: devemos ser honestos em nossas relações interpessoais, sejam elas quais forem. A visão de que o “jeitinho brasileiro” é intrínseco ao brasileiro é uma forma de tornar a maldade de um povo algo aceitável. Devemos evitar esse termo, mudar nossas próprias vidas e incentivar nosso próximo a fazer o mesmo, para evoluirmos moral e culturalmente.