A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 19/11/2019

Sérgio Buarque de Holanda, sociólogo brasileiro do século XX, em sua obra “Raízes do Brasil”, retrata o conceito do jeitinho brasileiro ao do “homem cordial”, que age pelo coração e afetividade, ao invés da racionalidade. Entretanto, tal perspectiva romantizada do autor entra em conflito com a definição contemporânea que é relacionada à esperteza e malandragem. Assim, seja por heranças socioculturais, seja por falta de valores éticos e morais, esse modo brasileiro ainda representa um empecilho social que precisa de uma reflexão coletiva.

Em primeira análise, alguns historiadores definem o jeitinho brasileiro como algo sociocultural histórico, que teve início desde os tempos da colonização e acentuado com a chegada da corte real portuguesa, em 1808. Apesar da forma administrativa da Coroa Portuguesa, com fiscalização e leis, as particularidades da nova região não foram consideradas, deixando espaço para a exploração ilegal e contrabando, dando início à perspicácia nacional e o fato de querer tirar vantagens nas situações, além de explicar o porquê da frouxidão das instituições e organizações sociais do país.

Ademais, essa faceta nacional é relacionada à ausência de valores éticos e morais e acabam não sendo ensinados da forma correta pelos estabelecimentos responsáveis, como a família e escolas, resultando em casos de corrupção e descumprimento das leis. O Brasil, recentemente, apresentou dois dos maiores casos de corrupção no meio político-econômico (Operações Zelotes e Lava-Jato) e a população, por conseguinte, atingiu 80% de casos de transgressão das leis, em situações que dificilmente serão punidos, corroborando com a teoria de que já é algo enraizado socialmente, independentemente da classe social. Com isso, percebe-se que os valores éticos e morais estão distantes de serem praticados da forma correta.

Em suma, são necessárias medidas que diminuam esse aspecto nacional. O Governo Federal, por meio do Ministério da Educação e do Ministério da Cidadania, devem investir na criação de Órgãos Institucionais que promovam o desenvolvimento ético-moral em escolas, empresas e bairros, com a realização de projetos e ações sociais, além de uma transparência dos valores governamentais, servindo de exemplo e diminuindo os casos de corrupção. Outrossim, a criação de uma nova disciplina curricular obrigatória de Educação Moral, Ética e Cidadã ,que possa proporcionar a nova geração uma maior valorização destes princípios, para que, futuramente, tal modo não seja mais relacionado aos brasileiros e seja cada vez mais raro no âmbito social-nacional.