A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 19/11/2019

Na obra romancista “Memórias de um Sargento de Milícias” é retratado o personagem principal - Leonardinho - como um malandro em seu esforço de sobreviver à margem das instituições socais com seu “jeitinho brasileiro”. De maneira semelhante, tal “jeitinho” persiste na sociedade contemporânea, uma vez que muitas indivíduos buscam obter vantagens pessoais transgredindo regras, em razão da falta de consciência social que “pequenos” desvios podem acarretar na sociedade.

Conforme dados da ONG Transparência Internacional, o Brasil configura-se na 79° posição, dentre 176 países analisados, no ranking das nações mais corruptas. Tal situação decorre da influência dos “leves” desvios de convenções sociais, visto que muitas ações do cotidiano, encarados como nocivas, acabam contribuindo para a manutenção de um sistema corruptível e desigual. Por isso, a banalização de atos egoístas e transgressores, como furar filas, burlar blitz da lei seca, dar ou aceitar troco errado e comprar produtos falsificados legítima a aceitação de grandes corrupções encontradas no meio social.    É evidente, portanto, que é primordial que haja, por parte do governo, maior rigor e punição àqueles que praticam atos ilícitos, inibindo a cultura de impunidade; também é papel do indivíduo lutar por uma sociedade mais igualitária, sendo ativo na busca por seus direitos e não atuando de forma conivente e/ou omissa aos casos de corrupção de pequenas e grandes proporções; por sua vez, cabe a família transmitir valores aos jovens, para que estes se tornem cidadãos conscientes, formadores de um novo círculo virtuoso, capaz de alterar o cenário de banalização de crimes, constituindo um Brasil no qual o Jeitinho não seja mais visto como característica inerente e enraizada no brasileiro.