A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 20/01/2020

Não é novidade para ninguém que a corrupção no Brasil é uma prática reiterada em tal grau, que se tornou consueta. O famigerado “jeitinho brasileiro” faz parte do cotidiano de grande parte da população e, sem dúvidas, essa eufemização de atos errôneos e por vezes ilegais, explica a dificuldade de progressão de nossa nação.

O ato de condenar comportamentos corruptos e cobrar honestidade de representantes políticos do país é um direito de todo cidadão, previsto na Constituição, mas se torna um ato hipócrita quando a própria sociedade a pratica em escalas menores (porém não menos contestáveis) e não vê mal algum nisso. Considerando que pequenas atitudes ignóbeis influenciam consideravelmente no regresso de um país, é necessário iniciar a correção desse mau hábito por onde é mais fácil se reparar: nos pequenos gestos ilícitos e infames diários.

Dalmo de Abreu Dallari, em seu livro “Elementos de teoria geral do Estado” defende que o “jeitinho brasileiro” espelha o processo de construção da sociedade do país nos primórdios da Era do Descobrimento, mas reitera que tal elemento não é subterfúgio para a permanência destes maus hábitos na sociedade contemporânea. Outrossim, culpa as autoridades, enfatizando o Código Penal do país que, arcaico, não fornece meios para a aplicação de sanções justas e contribui para que as pequenas infrações não sejam combatidas eficientemente.

Visto que a má formulação e ineficiência do Código Penal são o óbice de hábitos e práticas decoros, é necessário, antes de tudo, reformá-lo. Deve-se dar enfoque às sanções para leves infrações e logo após oferecer treinamentos ao poder executivo para que redobrem a atenção para este tipo de violação. Dessa forma, evitaríamos que as práticas errôneas fossem alimentadas e construiríamos, gradativamente, uma nação que se dirige de forma célere a um modelo de sociedade.