A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 29/03/2020

Na década de 1940 foi criado o personagem Zé Carioca, uma personificação de ideia estrangeira sobre os brasileiros. Ele é retratado como o típico malandro, sempre escapando dos problemas com o “jeitinho” característico. O grande revés neste modelo de atitude que é um reflexo da identidade nacional, é o fato de várias vezes isso ultrapassar os limites da legalidade. Para isto ser evitado, contendo assim a ordem pública, é necessária uma mudança coletiva da consciência a partir de uma maior liberdade, porém contendo uma legislação mais rígida.

É preciso entender, primeiramente, que o maior combustível para o “jeitinho” brasileiro, desde uma cola na prova até uma corrupção milionária, é a sensação de impunidade. O filósofo Platão menciona em seu livro “A República” o mítico anel de Giges, o objeto deixa seu portador invisível e com um dilema ético de como lhe usar, pois, teria uma impunidade sem fim. Com essa sensação cada vez maior de impunidade no Brasil, sentimos uma liberdade para fazer o que quisermos, como se fossemos invisíveis.

Além disso, deve-se observar que uma sociedade reflete e é refletida por seus governantes, já que, são eles que representam seus interesses. Sendo assim, o cidadão se sente muito mais propenso a ter que usufruir do “jeitinho” brasileiro quando vê, pessoas que deveriam ser exemplo, utilizando-se da malandragem e da corrupção para se beneficiar dos demais. Ou seja, para um menor índice de desonestidade voltado a um bem individual, devemos combater principalmente quem nos representa.

Portanto, para uma população cada vez mais homogênea, em que haja uma grande confiança mútua entre cada cidadão, nota-se necessário além de uma fiscalização rígida, a mudança de nossa mentalidade “malandra”, começando por quem nos representa no congresso. Para que isto aconteça o governo, representado pelo ministério da justiça deve atuar o mais intensamente possível quanto a toda ilegalidade através de medidas mais rigorosas de condenação, e que a execução penal seja cumprida por todos, diminuindo a sensação de impunidade e assim, a desonestidade.