A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 11/04/2020

Por volta de 1940, a empresa Walt Disney criou um personagem inspirado no povo brasileiro, e o nomeou Zé Carioca. A principal característica dele é a malandragem, pois ele sempre busca levar vantagem dos outros valendo-se muitas vezes da corrupção. Mas, infelizmente, esse esteriótipo condiz com a realidade do país, tendo em vista que há uma persistência desse “jeitinho” na sociedade brasileira, por diversos fatores, dentre eles, a grande variedade de políticos corruptos e a própria cultura local, que incentiva essa prática.

Primeiramente, é necessário destacar que a influência das autoridades polítcas sobre a população é determinante no âmbito da honestidade. Portanto, a “politicagem” que emana de Brasília encadeia práticas desonestas da população em geral, o que leva às pessoas a não confiarem na política e desrespeitarem a constituição mais facilmente. Algo assim, é escrito no livro “a mais pura verdade sobre a desonestidade”, do psicólogo Dan Ariely, que descreve a trapaça como uma infecção, que passa de pessoa para pessoa, a qual fica mais socialmente aceitável conforme aumenta a relevância do trapaceiro para a comunidade que influencia.

No entanto, não é só a área administrativa a culpada pela desonestidade, a cultura também tem parte na culpa. Pois, aqui é visto uma valorização da falta de honestidade por parte da sociedade, a qual parabeniza atitudes de malandragem, como a prórpia Disney mosta com o seu personagem brasileiro. Além disso, Ariely também discorre sobre como a cultura molda o perfil do homem, e conclui que onde há muitos desonestos, fabrica-se mais, já que todos são induzidos a trapacear porquê a sociedade faz o mesmo.

Com isso, é percebível que numa sociedade com tais características na verdade não beneficia ninguém, uma vez que seu povo é mau visto pelos outros. Sendo assim, faz-se necessário uma intervenção que busca melhorar o panorama. Logo, cabe ao Poder Executivo designar profissionais competentes para melhorar o atual Portal Transparência, de modo que ele seja uma fonte disponibilizadora de gastos públicos, fácilmente entendida por qualquer cidadão que a acesse, para que esses possam monitorar as despesas do Estado. Além do mais, é necessário que o Ministério da Educação, juntamente com a mídia televisiva, promovam debates em instituições de ensino e em seus canais de televisão, afim de cultivar um pensamento mais honesto e também avisar da existência do Portal Transparência, para que a sociedade possa mudar seu jeito de agir, melhorando a imagem do brasileiro, o que resultaria num Zé Carioca que devidamente orgulha o país.