A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 13/04/2020

A  capacidade de contornar situações que por vezes se mostram insolúveis e a recorrência de manobras previamente elaboradas, que nem sempre se enquadram na legalidade, cujo fim é esquivar-se de problemas, configuram o chamado Jeitinho Brasileiro. A corrupção é algo enraizado na história do Brasil, como visto na época do coronelismo através da prática do voto de cabresto. No entanto, o grande drama da cultura brasileira é inserir o eu nessa questão, pois a corrupção é um mal social e coletivo.

Segundo Leandro Karnal “Não existe um país que seja ético e um governo corrupto ou um governo que seja ético e a nação corrupta, sempre há uma relação de causa e efeito entre as coisas", portanto, o famoso “jeitinho brasileiro” de se sobressair, de resolver as coisas, na verdade, são ações que na maioria das vezes não conseguimos enxergar como corruptas, pois, para muitos, corrupção está apenas na política, porém, o que acontece na política é apenas o reflexo do que acontece diariamente na sociedade.

Ademais, é necessário enfatizar que a violação das convenções sociais, além de configurar um desvio de conduta, está na contramão dos ideais igualitários desejados por todos. Desse modo, situações encaradas como parte do cotidiano se mostram nocivas e contribuem para a manutenção de um sistema corruptível e desigual. Por isso, a banalização de atos egoístas e transgressores como furar filas, burlar blitz da lei seca, legitima a aceitação de grandes corrupções que de tempos em tempos vêm à tona nos noticiários.

Diante desse cenário, é primordial que haja, por parte do governo- responsável pelo bem estar social- maior rigor e punição àqueles que praticam atos ilícitos, inibindo a cultura de impunidade, também é papel do indivíduo lutar por uma sociedade mais igualitária, não atuando de forma conivente e/ou omissa aos casos de corrupção de pequenas e grandes proporções, para que assim possa se constituir um Brasil no qual o Jeitinho não seja mais visto como característica inerente e enraizada no brasileiro.