A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 15/04/2020
Sempre ácido e crítico, Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, satirizava as hipocrisias e os maus hábitos da sociedade brasileira vividos no século XIX. Ainda que dois séculos tenham-se passado, desde a época em que viveu o escritor realista, pouco mudou ao observar a persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira. Diante do exposto, cabe analisar tanto a corrupção, quanto a situação política e econômica no Brasil, como fatores desse contexto a fim de revertê-lo.
Convém ressaltar, a princípio, que a corrupção persistente na sociedade brasileira é um fator determinante para a permanência do impasse. Diante disso, é válido pontuar situações do cotidiano como furar fila, burlar a blitz de lei seca, dentre outras, contribuem para a manutenção do corrompimento e desigualdade no país. Por conta disso, atitudes de conduta desleal é criticada na obra “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman, no qual o filósofo defende que a pós-modernidade é influenciada pelo individualismo, sendo assim, a solução do problema torna-se algo distante.
Ademais, o “jeitinho” brasileiro não pode ser encarado totalmente como negativo. Habilidade e criatividade para lidar com situações difíceis e até mesmo sem solução, é uma grande estratégia de sobrevivência social para muitos, se o alarmante cenário político e econômico do Brasil for levantado em questão. Tal cenário é observável pelo número crescente de desempregados que rodeia entre 12,8 milhões, segundo dados do IBGE de 2018. Portanto, características adquiridas no berço são mais complexas do que uma simples dicotomia pode explicar e representar.
Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar a problemática. Logo, cabe ao Governo, entidade máxima do poder, promover ações a respeito do desfavorecimento social que a corrupção pode gerar. Tal ação deve ser realizada por intermédio da mídia televisiva utilizando propagandas informativas, a fim de convencer o internauta de não cometer atos corruptivos e por consequência mudar o pensamento escritor realista.