A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 19/04/2020

O desenho da Disney “Aquarela Brasileira” retrata o primeiro personagem brasileiro da franquia, o Zé Carioca, ele representa o povo brasileiro, seus costumes e hábitos. De maneira análoga, a realidade atual se mostra um reflexo da ficção apresentada. Desse modo, entende-se que o modelo sociológico do homem cordial e a desacreditação com relação a punição do Estado contribuem para a perpetuação do “jeitinho” brasileiro.

A priori, pode-se constatar como impasse à consolidação de uma solução, a noção de cordialidade. Conforme, Sérgio Buarque de Holanda o brasileiro possui em suas raízes a individualidade e a necessidade de agradar aqueles que estão ao seu redor. Nessa perspectiva, surgem atos de corrupção, que se baseiam em agradar o outro por meio do fornecimento de uma vantajem, pôr a si e os seus acima da comunidade.

A posteriori, é necessário compreender que esses atos, muitas vezes ilícitos, ocorrem, pois, a sociedade civil desacredita no Estado como órgão punitivo. Sob está ótica, nota-se que de acordo com a pesquisa do Índice de Percepção do Cumprimento da Lei (IPCLBrasil) mais de 80% dos brasileiros acreditam que é fácil burlar as leis no país. Nesse contexto, as pessoas revelam o profundo descaso com as normas instituídas pelo Legislativo, tendo como consequência direta a desarmonia no convívio social.

Portanto, só será possível superar os desafios supramencionados, com relação ao “jeitinho” brasileiro, com a ação do Estado. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Educação e o da Segurança Pública agirem em parceria, por meio de palestras em escolas e outras repartições públicas que tenham como proposta a difusão do compromisso com a lei e de atitudes contra a corrupção. Dessa forma, o Brasil poderá garantir a harmonia social do país.