A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 16/04/2020
Sempre ácido e crítico, Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, satirizava as hipocrisias e os maus hábitos da sociedade brasileira vividos no século XIX. Ainda que dois séculos tenham se passado desde a época em que viveu o escritor realista, pouco mudou a observar a persistência do “jetinho” na sociedade brasileira. Diante do exposto, cabe analisar tanto a corrupção, quanto a situação política e econômica no Brasil, como fatores desse contexto, a fim de revertê-lo. Convém ressaltar, a princípio, que a corrupção persistente na sociedade brasileira é um fator determinante para a permanecia do impasse. Diante disso, é válido pontuar situações do cotidiano como furar fila, burlar a blitz de lei seca, dentre outras, contribuem para a manutenção do corrompimento e desigualdade no país. Por conta disso, atitudes de conduta desleal são criticadas na obra “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman, no qual o filósofo defende que a pós-modernidade é influenciada pelo individualismo e egoísmo, sendo assim, a solução do problema torna-se algo distante.
Ademais, o “jeitinho” brasileiro não pode ser encarado totalmente como negativo. Habilidade e criatividade para lidar com situações difíceis e até mesmo sem solução é uma grande estratégia de sobrevivência social para muitos, se o alarmante cenário político e econômico do Brasil for levado em questão. Tal cenário é observável pelo número crescente de desempregados que rodeia entre 12,8 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE de 2018. Portanto, características adquiridas no berço são mais complexas do que uma simples dicotomia pode explicar e representar.
Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar a problemática. Logo, cabe ao Governo, entidade máxima do poder, promover ações a respeito do desfavorecimento social que a corrupção pode gerar. Tal ação deve ser realizada por intermédio da mídia televisiva utilizando propagandas informativas, afim de convencer o internauta de não cometer atos corruptivos e por consequência mudar o pensamento do escritor realista.