A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 11/05/2020

Existe no Brasil a constante degradação da ética e da moral. A corrupção no país se tornou tão comum a ponto de ganhar um apelido: jeitinho brasileiro. Tal apelido deixa evidente a banalização de atos corruptos na sociedade e generaliza um povo como “malandro”. Essa ideia, advém de séculos de descrédito do poder político, o qual falha com a sociedade em exercer seu papel de administrador democrático quando seus representantes colocam os interesses privados a cima do bem social.                   Em primeiro lugar, é importante comentar a tendência que há no Brasil da extra-valorização do bem particular em detrimento do desenvolvimento coletivo. Segundo o sociólogo Sergio Buarque de Holanda, o brasileiro é um “ser cordial”, ou seja, que haje mais com a emoção do que com a razão. Com isso, é desfeita a consciência coletiva e o cidadão passa a viver em seu estado natural de sobrevivência, o qual é caracterizado pelo individualismo e em não reconhecer um possível acordo entre as pluralidades do país. Ademais, tal forma de se ver na sociedade abre espaço para a quebra da moral civil, o que leva o indivíduo a procurar meios alternativos e não legais para se beneficiar sem se preocupar com o próximo. Assim, nasce o “jeitinho brasileiro”, a partir do descrédito da própria população e sua incapacidade de confiar naqueles ao seu redor.                                                                    Em segundo lugar, é valido ressaltar as tentativas falhas do governo de servir de exemplo para a população. Durkheim, em sua teoria sobre as relações sociais, afirma que se um indivíduo falha em exercer seu papel como cidadão, significa que o Estado falhou com ele. Portanto, fica clara a responsabilidade que é atribuída aos governantes, pois estes devem seguir as diretrizes da constituição e proteger os direitos inalienáveis dos cidadãos. Entretanto, ao usarem dos seus poderes políticos para o bem pessoal, os administradores perdem a credibilidade e ao não receberem penas severas geram a sensação de impunidade. Dessa forma, os políticos, ao colocarem o egoismo a frente da consciência coletiva e continuarem livres de sanções, escancaram as falhas presentes na jurisdição do país e incentivam a população a realizar atos imorais sem maiores remorsos.                                                           Por fim, visto o cenário de banalização do mal presente no Brasil, é mister que medidas sejam tomadas. A curto prazo, é necessário que o Estado, como agente administrador da sociedade, aplique punições mais severas àqueles que abusam do poder em benefício próprio, por meio da criação de novas leis que exonerem tais pessoas dos cargos públicos, com o intuito de extinguir a sensação de impunidade. A longo prazo, é preciso que o Ministério da Educação, junto com escolas públicas e privadas, realizem campanhas de educação acerca dos valores morais por meio de palestras com antropólogo e sociólogos afim de impedir que o “jeitinho brasileiro” atinja as futuras gerações.