A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 27/04/2020

O famoso empresário e cineasta Walt Disney criou, nos anos 1940, o personagem “Zé Carioca”, um papagaio que usava as cores verde e amarelo e representava o caráter “malandro”, esperto, criativo  e “desenrolado” do brasileiro. Esse comportamento tornou-se algo cultural e tem raízes históricas. Contudo, o “jeitinho” pode ser associado a aspectos bons e ruins, e dependendo do contexto deve ser combatido. Nesse sentido, faz-se necessário compreender ambos os aspectos.

Em primeiro plano , vale destacar o pensamento do escritor e poeta maranhense Gonçalves Dias, o qual diz que “a vida é combate que os fracos abate, que os fortes, os bravos só pode exaltar” como uma realidade nacional. Nessa ótica , não é difícil perceber  a necessidade de lutar para sobreviver, sobretudo, num país onde negros, índios e mulatos tiveram menos condições e oportunidades desde o Brasil Colônia e precisavam dar “jeitinhos” para obter o alimento, vestuário e até a liberdade. Hodiernamente, embora os escravos tenha sido libertos pela Lei Áurea e os índios tenham recebido direitos na Constituição Federal, os brasileiros das classes mais baixas precisam “se virar nos 30”, por meio de “bicos”, privações e economias, para terem acesso ao minimo daquilo que é essencial para viver como  moradia, alimentação, água e educação. Desse modo, é inquestionável que faz-se necessário ser forte para vencer as  adversidades, e não ser abatido pelas desigualdades.

Em contra partida, é inegável que o “jeitinho brasileiro” tem seu aspecto negativo e destruidor e que traz vergonha à nação. Isso pode ser visto desde pequenos comportamentos como colar numa prova, ou furar a fila em um posto de atendimento de saúde, ou então, no desvio de recursos financeiros, venda de cargos públicos e políticos . Essas ações são motivadas pela vontade de querer se dar bem em detrimento do prejuízo de outrem por meio desonestidade. Logo, esse cenário corrobora de forma fidedigna o pensamento do filósofo inglês Thomas Hobbes, o qual diz que “o homem é o lobo do homem”, uma vez que ele é possuidor de uma natureza egocêntrica, individualista e perversa que caracterizam o mau “jeitinho”.

Diante do exposto, é plausível afirmar que a persistência do “jeitinho brasileiro” está atrelado às raízes culturais do país de forma positiva e negativa. Portanto, é necessário as instituições de ensino, a família e a igreja construírem uma cultura de ética, respeito e moral nas crianças e jovens com o objetivo de formar cidadão morais e éticos, que não sejam desonestos e trapaceiros, mas que desenvolvam empatia e respeito ao próximo e respeitem as leis. Isto deverá ser feito desde a educação básica por meio do ensino de ética e cidadania. Dessa forma, o personagem “José Carioca” da Disney será apenas um desenho fictício e sem paralelo com o brasileiro.

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