A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 05/05/2020

Na produção de Mário de Andrade, “Macunaíma” , um herói não convencional é retratado, ele possuía uma forma diferente de reagir frente aos seus obstáculos, muitas vezes com preguiça e libertinagem. A obra, no entanto, representa uma crítica à cultura brasileira, no que tange ao “jeitinho brasileiro” e suas consequências na sociedade. Nesse sentido, cabe discorrer sobre sua persistência no cenário nacional e sobre suas consequências negativas, tais são: a corrupção cotidiana e a descrença na política.

Sob tal perspectiva, é necessário, primeiramente, entender o quão nocivo são as pequenas “malandragens” de alguns indivíduos. Isso é bem ilustrado na representação caricata do Zé carioca, cujas atitudes que burlam a lei o conferem uma sensação de vitória, quando, na verdade, representam um ideal enraizado na sociedade. Analogamente a isso, algumas pessoas também agem dessa forma e, ao buscarem meios ilícitos, alimentam a perpetuação da corrupção no país, uma vez que caso tentassem desconstruir essa cultura, muitas desigualdades seriam resolvidas. Assim, denota-se a necessidade de medidas para evitar o continuísmo desse padrão.

Além disso, o pensamento enraizado em alguns brasileiros promove a manutenção da falta de representatividade na política. Isso ocorre por muitas pessoas acreditarem que as situações de desigualdade são impossíveis de serem mudadas e isso também é proveniente do “jeitinho brasileiro”, o qual as faz aceitar passivamente tais cenários. Um exemplo dessa visão se dá na obra, Vidas Secas, quando Fabiano fala: “governo é governo”, ou seja, não há possibilidade de melhora e o que resta é conviver com essa realidade. Tal situação é comprovada pela pesquisa do Tribunal Superior Eleitoral, cujos dados apontam que, em Roraima, 71% dos eleitores revelaram conhecer práticas de venda de votos e isso, portanto, revela a falta de engajamento de uma parcela dos brasileiros no que tange ao exercício da democracia. Por isso, esse pensamento precisa ser desconstruído do imaginário das pessoas.

Logo, em concomitância aos fatos apresentados, é necessário esquecer o passado de preguiças e começar a buscar mudanças. Para isso, a Escola, principal agente na desconstrução de valores, deve, por meio do auxílio de pedagogos especializados, implementar aulas lúdicas, com o fito de mitigar os padrões sociais impostos pelo “jeitinho brasileiro” e evidenciar suas consequências no funcionamento da leis. Ademais, o Ministério da Educação precisa, a fim de estimular o pensamento crítico, efetuar, com a assistência de Sociólogos, aulas sobre política e os direitos da população para, assim, engajar os indivíduos na busca por representatividade. Dessarte, muda-se a realidade e, à longo prazo, a figura do Zé carioca deixará de ser um retrato da sociedade.