A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 13/05/2020
Desde o início da colonização portuguesa no Brasil, cresceu abruptamente a miscigenação dos habitantes desse território. Essa condição, formou um povo único com singularidades riquíssimas, tal como uma culinária abastada. Entretanto, algumas características do povo brasileiro trazem diversos malefícios para o convívio social. Uma delas é o “jeitinho brasileiro”, onde atos de corrupção são apaziguados e banalizados, muitas vezes por denotarem o cenário político atual e raízes históricas.
A priori, deve-se considerar a preocupante colocação do país no ranking de corrupção global, elaborado pela Organização de Transparência Internacional: ocupa o 106° lugar de 180 participantes. Essa posição explicita um cenário político com diversas irregularidades, tal qual o escândalo do mensalão- onde uma rede de políticos, de diferentes partidos, pagavam propina à parlamentares, com o intuito de que seus desejos fossem atendidos. Assim, com um panorama tão catastrófico ocorrendo recorrentemente, os desvios acabam sendo minimizados, e passam pela “banalidade do mal” (expressão crida pela filósofa e socióloga alemã Hannah Arendt, que fundamenta a ideia de que a maldade, sendo muitas vezes praticada, acaba tornando-se comum e aceita pela sociedade), o que torna a corrupção um problema não só jurídico, mas também sociológico.
Ademais, a caracterização do povo brasileiro como “malandro” já está presente há muito tempo, tanto nacional como internacionalmente. Essa condição mostra-se presente em diversas áreas: desde obras literárias nativas, como O Cortiço de Aluísio Azevedo- onde os personagens nascidos no Brasil possuem comportamentos antiéticos em muitas cenas, até desenhos animados estadunidenses, à exemplo a animação Zé Carioca da Disney Company, em que o protagonista representa de forma pejorativa o comportamento dos cariocas. Assim, os cidadãos brasileiros tendem a seguir esses exemplos, pois os representariam.Dessa forma, vai criando-se um ciclo de corrupção que necessita ser interrompido urgentemente.
Considerando os aspectos mencionados, é indubitável a necessidade de medidas para reverter a situação. Condições como atos políticos, à exemplo os escândalos de desvio de dinheiro público, e também cotidianos, à semelhança do uso de documentos ilegais e a venda de bebidas alcoólicas para menores de idade, de corrupção, devem ser duramente julgados pelo Poder Judiciário, com altas penalizações nos julgamentos, chegando até mesmo ao cárcere, e que essas sejam difundias pelos veículos de comunicação, para que todos saibam da gravidade desses crimes muitas vezes encarados frívolos. Dessa forma, a banalização do mal será cada vez mais amena, e a honestidade será cada vez maior na posteridade.