A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 16/05/2020

Zé Carioca é o papagaio malandro dos estúdios Disney criado para representar o Brasil. Diante disso, evidencia-se a visão que a maioria dos estadunidenses têm dos brasileiros: pessoas alegres e espertas que usufruem do conhecido “jeitinho brasileiro” para conseguir o que querem de forma ilícita. Dessa forma, avaliando o cenário nacional contemporâneo, vê-se que essa personagem, de fato, representa grande parte dos brasileiros. Isso é um grave óbice, pois a política é um reflexo da comunidade em que ela atua e os indivíduos que praticam a corrupção com normalidade se beneficiam com prejuízo dos demais.

Em primeiro lugar, é necessário discutir porque uma sociedade antiética fomenta autoridades desonestas. Para tal fim, é mister analisar esse excerto do líder pacifista indiano Gandhi: o futuro dependerá daquilo que fazemos no presente. Isto é, crianças que têm contato com uma população que age corruptamente, certamente, continuarão a ser imorais quando crescerem e exercerem uma profissão, inclusive no meio político. Por isso, seria negligente não notar a importância de mitigar o desvirtuamento cotidiano.

Em segundo lugar, é preciso abordar acerca da naturalidade dos brasileiros diante à corrupção cotidiana. Nessa perspectiva, é possível comparar a realidade com um episódio do período colonial do Brasil: as Guerras Justas. Naquela época, o Governo proibiu a escravidão indígena, porém tribos “consideradas” inimigas eram a exceção da regra. Ou seja, muitas pessoas estimularam conflitos com os índios para terem a justificativa de escravizá-los. Hodiernamente, os brasileiros encontram maneiras de bular as leis em situações recorrentes, como na fila da lotérica, na declaração do imposto de renda, na ultrapassagem do sinal vermelho e etc. Logo, vê-se que a sociedade continua cometendo atos ilegais para a obtenção de interesses próprios, mesmo que isso lese outros indivíduos.

Portanto, urge preparar medidas para erradicar a naturalização da corrupção no Brasil. Sendo assim, o Poder Legislativo e o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, que têm a função de, respectivamente, elaborar e aprovar leis, devem criar projetos de fiscalização e punição efetivos para aqueles que praticam o “jeitinho brasileiro”. Esses projetos serão executados por meio da contratação de profissionais qualificados e geração de leis federais. Enfim, essas ideias precisam ser postas em prática para que as gerações futuras possam usufruir de um Brasil sem corrupção tanta no cotidiano quanto na esfera política.