A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 19/05/2020
No filme “O auto da Compadecida”, é retratado as improvisações dos personagens principais em situações problemáticas, uma vez que se sobressaem de maneira criativa através de um “jeitinho”. Nesse sentido, a realidade apresentada pela ficção pode ser relacionada a persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira, a qual é resultado de hábitos passados que por consequência geraram corrupções e desonestidades no cenário atual.
Em primeiro plano, destacam-se hábitos enraizados em sociedade como uma das causas do problema. Nesse ínterim, Sérgio Buarque, em seu livro “Raízes do Brasil” refere-se ao “jeitinho” brasileiro como uma forma de expressão inteiramente ligada a colonização e a miscigenação. Em analogia, a colonização se deu de forma não ética, oferecendo aos índios especiarias como forma de “troca” por metais preciosos e conhecimento das terras. Sob esse viés, tornando-se evidente o “jeitinho” como maneira de conseguir tais interesses e sobressairem de situações, comprovando assim, que fatos passados fazem presentes nos dias atuais.
Por conseguinte, presencia-se a desonestidade como valorização dessa cultura, sendo um dos impulsionadores do impasse. A esse respeito, pesquisas realizadas pelo site “O tempo”, 82% dos brasileiros interrogados disseram que é fácil desobedecer uma lei constitucional. Dessa forma, a persistência do “jeitinho” permite atravessar várias camadas hierárquicas da sociedade, desde passar na frente do outro na fila até desviar dinheiro público. Em decorrência, inserindo a corrupção como prática aceitável na sociedade brasileira, devido a costumes anteriormente construidos e valorizados.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o exposto. Para a conscientização da população brasileira, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) adote, por meio de verbas governamentais, a inserção de aulas sobre ética nas escolas do país, visando promover a criticidade a respeito do “jeitinho” brasileiro, desconstruindo costumes passados, com intuito de distanciar a corrupção e a desonestidade em sociedade, garantindo assim a permanência dos valores de caráter humano. Dessas medidas, espera-se uma sociedade mais ética e menos corrupta.