A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 26/05/2020

O personagem Zé Carioca foi criado pelos estúdios Walt Disney na década de 1940 e a esse papagaio foram atribuídas características esteriotipadas do brasileiro como divertido, festeiro, boêmio, preguiçoso e que sempre escapa dos problemas. Fora da ficção, o ‘‘jeitinho brasileiro’’ de burlar regras ainda persiste na sociedade, principalmente nos âmbitos social e político.

É importante pontuar que apesar dos escândalos de corrupção no campo político do país, com o desvio do dinheiro público que deveria ser destinado à saúde e educação, atos cotidianos demonstram que a corrupção ultrapassa o Congresso Nacional e interfere no modo de vida das pessoas. Furar a fila do banco, subornos, privilégios por cauda da renda e violar leis federais são práticas indecentes feitas pelo cidadão comum.

Além disso, por meio do ‘‘jeitinho brasileiro’’ percebe-se que o indivíduo tem dificuldade em lidar com a impessoalidade e está sempre procurando estabelecer relações pessoais para favorecê-lo. A socióloga Hannah Arendt ao criar a expressão ‘‘banalidade do mal’’ , afirma que quando uma atitude ruim é praticada várias vezes se torna praxe  e até mesmo é esquecida pela população. Logo o ‘‘jeitinho’’ não será coibido de maneira tão rápida, uma vez que os maus hábitos continuam a ser mascarados por sua continuidade.

Portanto, é necessário que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Educação promova nas escolas debates sobre atos corruptos do dia a dia que podem gerar problemas maiores. Ademais, as leis que punem essas ações negligentes devem ser mais rígidas e impessoais para que haja uma diminuição nos benefícios para indivíduos que burlam regras.