A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 05/07/2020

No Brasil colônia do século XVIII, época de forte mineração e exploração de metais preciosos, os altos impostos cobrados pela coroa portuguesa fizeram com que os senhores de terras e mineradores iniciassem a sonegação de tributos à época, escondendo ouro e diamantes dentro de imagens religiosas. Esse episódio deu origem à famosa expressão “santo do pau oco”, e marca uma das fases em que se é possível perceber como o “jeitinho” de resolver problemas com facilidade esteve presente no Brasil. Esses fatos de devem tanto pela corrupção enraizada na cultura do país, como também à falta de punição presenciada por parte da população.

Em primeira análise, é possível destacar a herança corrupta na história do país, desde a vinda da família real portuguesa ao Brasil, como nos dias atuais. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, adepto ao Funcionalismo, cada ação individual é influenciada previamente pela sociedade, o que faz com que o “jeitinho brasileiro” esteja presente em pequenos atos inadimplentes praticados no dia a dia, e que seja normalizado por grande parte dos cidadãos. Situações como descumprimento de regras, sonegação de impostos, suborno de policiais ou até mesmo atos em que se tiram vantagens acima de outros, são algumas das quais podemos destacar tais fatos.

Além disso, a grande impunidade presente em casos criminais no Brasil é um dos grandes motivos que causam indignação por parte dos habitantes, e que fazem com que grande parcela das pessoas optem por seguir caminhos mais fáceis e de duvidosa conduta, levando em conta a ineficácia na aplicação e execução de leis existentes no país. Para o Positivista Augusto Comte, o caminho para o progresso se dá por meio da ordem e organização, e apesar das novas gerações compactuarem cada vez menos com a violação às regras e atos corruptos por parte dos políticos e da sociedade em geral, o paradigma de Comte se encontra hodiernamente distante.

Infere-se, portanto, que medidas sejam necessárias para a redução de tal cultura na nação. Logo, cabe ao poder Judiciário fiscalizar e ordenar o cumprimento das leis existentes, punindo severamente os indivíduos que as infringirem, e cabe também ao Ministério da Educação a implementação de debates e palestras à jovens e crianças, com temas sociais, princípios éticos e morais, conteúdos cívicos e estudos das leis, com o intuito de ensiná-los a agir conforme as legalidades no país, e que dessa maneira também possam levar os conhecimentos adquiridos às suas famílias e comunidades, sendo assim construída uma sociedade com bases e valores positivos cada vez mais estruturados.