A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 07/10/2020

No livro “A genealogia da moral”, do autor Friedrich Nietzsche, ele diz que basta uma pequena dose de malícia para as pessoas quererem destruir a equidade. Historicamente, a equidade continua sendo algo desejável para sociedade brasileira, porém, encontra um impasse para se efetivar, a persistência do “jeitinho”, termo cujo significado carrega um eufemismo que busca camuflar o seu real sentido, infração. Destarte, torna-se imperioso analisar como as instituições de ensino e a mídia influenciam na problemática em questão.

Em primeiro plano, as instituições de ensino, quando negligenciam no aprendizado da disciplina de Sociologia para os alunos, é uma das principais responsáveis pela persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira. Tal argumento pode ser exemplificado pelo fato da escola atuar como base formadora do caráter crítico do aluno, e quando isso não ocorre, é comum ver as infrações sendo naturalizadas e aceitas como forma de atalho para alcançar um objetivo. Desse modo, a letra da canção “Eu queria mudar”, do grupo musical Pacificadores, em que diz: “pensar honesto não dá, nunca deu e nunca dará”, aparenta ser um pensamento compartilhado por parcelas da comunidade e consequentemente, que afeta de forma negativa todo o país.

Outrossim, a mídia também exerce influência no impasse do “jeitinho” brasileiro, pois é por intermédio das ficções engajadas nos canais de televisão aberta, que as cenas em que ocorrem as transgressões são tratadas usualmente de forma supérflua, sem punição. Assim sendo, o telespectador ao assistir as obras, tem a sensação de que infringir a lei para obter algo não passa de uma boa tática e como resultado, copia tais métodos no seu cotidiano. Em suma, o contrato social descrito por Thomas Hobbes como necessário para o bem-estar, pois visa assegurar que a liberdade das ações de uma pessoa não afete a outra, encontra-se fragilizado na sociedade atual.

Torna-se evidente, portanto, que a persistência do “jeitinho” no Brasil é um impasse que precisa ser solucionado. Dessarte, cabe às instituições de ensino, em parceria com professores de Sociologia, criar debates abertos à comunidade, especialmente com suporte tecnológico para transmiti-lo ao vivo, com a finalidade de conscientizar e despertar a criticidade dos cidadãos em suas ações. Ademais, é imprescindível que a mídia mude seu comportamento diante da problemática e juntamente aos psicólogos, elabore ficções em canais de televisão aberta que tenham como propósito, mostrar ao telespectador que o “jeitinho” é uma infração e deve ser tratada como tal. Por conseguinte, as instituições de ensino e a mídia irão corroborar para a formação de indivíduos mais responsáveis e uma sociedade em que a equidade não é utopia.