A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 25/07/2020

Aprendendo a roubar

No longa-metragem produzido pelo cartunista Walt Disney em 1942, “Alô, Amigos”, o pato Donald viaja para o Brasil e conhece o personagem Zé Carioca que, ao longo da trama, tenta livrar-se de todos os problemas em que se envolve, utilizando o seu “jeitinho brasileiro”. Partindo do princípio real e saindo da ficção, as atitudes do papagaio são extremamente comuns no nosso cotidiano. Dentre os fatores que levam o cidadão brasileiro a ser desonesto, destacam-se a educação errônea que é vos dada na infância, juntamente com as raízes históricas que perpetuam no seu modo de viver e de agir. Mediante a isso, como podemos mudar essa realidade e construir um país menos corrupto?

Atualmente, o contexto social ao qual estamos inseridos não é de se orgulhar, pois somos ensinados a ser desleais desde cedo. Por exemplo, frases como “deixa comigo”, “vou mexer meus pauzinhos” e “ninguém vai saber”, são comumente utilizadas pelos pais no momento de concederem a seus filhos o desejo deles de entrar no cinema sem pagar a entrada, provavelmente, porque esqueceu-se do dinheiro. Ao observar a atitude daquele que deveria ser exemplo, a criança aprende a ter atitudes incorretas prematuramente, pois considera a atitude do pai coerente. Assim, podemos tomar por base o que fora mencionado pelo filósofo Sócrates, “É muito mais fácil corromper do que persuadir.”

Outrossim, podemos ressaltar o conceito de “homem cordial” atribuído pelo escritor Sergio Buarque de Holanda em seu livro “Raízes do Brasil”. Historicamente, na era do Coronelismo, havia uma prática conhecida como voto de cabresto, onde o coronel fornecia proteção para um determinado indivíduo em troca de voto para o seu candidato. Essa relação existente entre a oligarquia e o povo, se dava justamente pela forma como o coronel conduzia a situação, utilizando a sua gentileza, esperteza, e claro, a cordialidade mencionada por Holanda. Desse modo, observamos que as fraudes começaram muito antes das famosas “roubalheiras” que ocorrem na política e que tanto criticamos.

Portanto, a solução para mudarmos essa triste realidade, começa com a educação dos nossos sucessores em casa. Para isso, é importante que os adultos comecem a agir de forma honesta, a fim de dar exemplo aos seus descendentes. Ademais, o Governo Federal através do Ministério da Justiça, deve fiscalizar constantemente os lugares onde ocorrem os atos de desonestidade mais comuns como em filas de vias lotéricas e sinais de trânsito, além de penalizar com multas mais altas aqueles que praticarem a trapaça, assegurando que não haverá injustiça, porque não haverá corrupção. Por fim, a orientação sobre o “jeitinho brasileiro” pelas escolas, é de fundamental importância para o desenvolvimento do caráter dos alunos, pois eles serão educados para serem adultos de honradez.