A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 30/07/2020
A série Elite relata o desvio de dinheiro público, acometido por grandes empresários, para contas pessoais, demonstrando, dessa forma, o uso de verbas coletivas para fim individual. Nessa lógica, é retratada a persistência da corrupção no cotidiano da sociedade hodierna. De maneira análoga à história documentada, a conservação do “jeitinho” - termo usado para explicar um modo fácil de resolver situações em benefício próprio, mesmo que, para isso, seja necessário algum pequeno ato de corruptela, na sociedade brasileira - ainda enfrenta entraves no que concerne ao individualismo nas relações sociais, como também ao sistema econômico capitalista.
Diante desse cenário, é fulcral analisar o homem pós-moderno como impulsionador para a perisistência de hábitos corruptos, uma vez que os projetos para o futuro são substituidos pelo prazer instantâneo, o que gera a busca por mecanismos que catalisem seus objetivos, sem que haja uma preocupação com o meio exterior a si. Corroborando essa ideia, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que , hodiernamente, as relações afetivas tendem a ser menos duradouras, mormente que o ser humano está mais sujeito a olhar para si como um ser individual e não mais como um ser coletivo, dificultando, assim, o bom convívio comunitário. Logo, é perceptível, que o egoísmo impulsiona a permanência do “jeitinho” na sociedade, posto que os objetivos pessoais são imediatistas, acarretando no corrompimento dos atos individuais.
Outrossim, com o advento da Terceira Revolução Industrial, o sistema capitalista, que é coordenado pelo consumo, se expande. Sendo assim, é corriqueiro o uso de propagandas abusivas e mentirosas, ora que é visado um o número máximo de consumidores para que, dessa forma, o proprietário atinja grande lucro monetário. Nesse âmbito, a composição brasileira do cantor Renato Russo, “Que país é esse”, demonstra a corrupção presente no sistema político brasileiro, posto que o valor financeiro é visto como primordial nas pautas sociais. Ratificando essa ideia, o atual conjunto capitalista intensifica os atos corruptos já que, com a objetivação de uma alta renda financeira, a sociedade busca conquistar tal meta de forma rápida, mesmo que contraponha valores éticos.
É necessário, portanto, que o Ministério da Educação, como responsável por um pleno funcionamento educacional no país, disponibilize aulas acerca de éticas políticas para os estudantes, ministradas por psicopedagogos, em escolas públlicas e privadas, com o fito de fornecer informações acerca da legislação brasileira, como também a importância de um convívio coletivo social. Dessa forma, o tangenciamento de políticas públicas, como a permanência de atos corruptos na sociedade brasileira, irá decrescer de forma exponencial.