A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 05/09/2020

A capacidade de contornar situações e a recorrência de manobras previamente elaboradas, cujo fim é esquivar-se de problemas, configuram o chamado “jeitinho brasileiro”. Exemplo disso, é o personagem fictício Zé Carioca, criado pelo Walt Disney, ele é caracterizado como o malandro simpático e cordial, buscando sempre levar vantagem nas situações. No entanto, a persistência desse “jeitinho” traz impactos negativos para a sociedade, sendo necessário avaliar suas causas e consequências.

Sob esse viés, é valido citar que o “jeitinho brasileiro” possui raízes culturais desde o período da colonização em que foi implantado o Patrimonialismo, quando o processo de concessão de títulos de terras e poderes quase absolutos aos senhores de terras levou à posteridade uma prática político-administrativa em que o público e o privado não se distinguia perante as autoridades. Todavia, atualmente, esse tipo de hábito ainda persiste entre os brasileiros, tendo como exemplo o abuso de poder cometido por autoridades ao indicar alguém para exercer algum cargo sem a pessoa ter passado por processo seletivo, como uma prova de concurso. Por conseguinte, os indivíduos que se preparam para concorrer o cargo são injustiçados, pois outra pessoa já levou vantagem mediante a situação. Sendo assim, a falta de ética ao não separar o público do privado deve ser combatida.

Ademais, é necessário enfatizar que esse “jeitinho” se torna uma violação das convenções sociais, visto que configura um desvio de conduta que está na contramão dos ideais igualitários desejados por toda sociedade. Situações que tornam-se parte do cotidiano, como: furar filas, burlar blitz da lei seca, dar ou aceitar troco errado, entre outros, se mostram nocivas e contribuem para a manutenção de um sistema corruptível e desigual. Logo, a banalização desses atos legitima a aceitação de grandes corrupções que sempre são vistas nos noticiários. Desse modo, o homem acaba se tornando lobo de si próprio, como afirma o filósofo Thomas Hobbes, pois ao praticar certo tipo de corrupção o brasileiro se esquece que pode ser vítima dela.

Diante dos fatos mencionados, torna-se evidente que o “jeitinho brasileiro” persiste de forma negativa na sociedade, trazendo diversos prejuízos sociais que precisam ser solucionados. Portanto, é imprescindível que a Polícia Federal, promova maior fiscalização dos cargos públicos, por meio de verbas, de modo que  haja punição para as pessoas que estejam ocupando cargos sem terem passado por processos seletivos e para quem as indicou, a fim de punir esse tipo de corrupção. Faz-se necessário, ainda, que o Ministério da Educação promova palestras nas escolas, por meio de campanhas educacionais, que visem ensinar as crianças e adolescentes a não praticarem pequenos atos de corrupção,citando suas causas e consequências, para que possam se tornar jovens conscientes e incorruptíveis.