A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 24/09/2020
Durante o período da Primeira República, ocorria o coronelismo, que se caracterizava pelo controle de um grande proprietário rural sobre a população ao seu redor, por meio do uso da força para obter votos a um candidato para ganhar benesses políticas. Contudo, essa prática clientelista de troca ilícita de favores não está presa ao passado, porém presente em diversas camadas da sociedade. Sob tal ótica, a persistência do “jeitinho” no Brasil é extremamente prejudicial, visto que ele diminui a eficiência das instituições públicas e desrespeita os princípios básicos da democracia.
Inicialmente, há uma tendência no brasileiro de conseguir a melhor vantagem com o mínimo de esforço possível. Em consonância com o livro “Macunaíma” de Mário de Andrade, o protagonista homônimo é um índio que tira proveito de tudo e todos para obter as coisas do jeito fácil e frequentemente repete a frase, “Ai, que preguiça!”. Diante disso, o “herói sem nenhum caráter” é uma imagem crítica do brasileiro que executa tarefas de maneira a realizar o menor trabalho e baseado nos benefícios capazes de obter e não no dever de seu cargo ou na melhor forma de fazê-lo. Nesse sentido, o funcionalismo público perde produtividade e ganha lentidão e burocracia, porquanto o ideal de ajudar o outro, geralmente, é posto em segundo lugar quando há interesses pessoais envolvidos.
Outrossim, a cultura nacional negligencia a igualdade de todos garantida pelo artigo 5º da Constituição Federal. De acordo com Sérgio Buarque de Holanda, o patrimonialismo brasileiro é marcado pela invasão de interesses privados na esfera pública e pela dificuldade de entender a universalidade da lei. Por conseguinte, há, normalmente, uma busca por favorecer e facilitar, ilegalmente, certos procedimentos para amigos e familiares. Dessa forma, processos judiciais, fila para cirurgias ou o recebimento de auxílios sociais são extremamente eficazes quando se tem um conhecido no departamento responsável, mas, nos demais casos, o que se percebe é o descaso e a morosidade. Nota-se, com isso, a desigualdade e privilégios no trato atrelada aos hábitos e costumes da sociedade.
É mister, portanto, tomar medidas que promovam a gradativa diminuição da corrupção nos hábitos brasileiros. Logo, cabe ao Poder Executivo de diferentes níveis (municipal, estadual e federal) criar um sistema de recompensa por produtividade, por meio de um aumento no salário dos empregados proporcional a sua superação de uma objetivo pré-estabelecido, todavia sem penalidades àqueles que ficarem abaixo dele. Ademais, essa meta será específica para cada setor (educação, saúde, segurança e outros) e definida com um diálogo entre os funcionários e chefes. Além disso, será aumentada a punição contra funcionários que beneficiarem conhecidos. Espera-se, assim, aumentar a difusão da igualdade de direitos e diminuir os impactos do interesse pessoal na gestão pública.