A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 31/08/2020
“O honesto é chamado de burro, enquanto o malandro é chamado de esperto”. O trecho da música de Kayo Andrade expõe um aspecto do chamado “jeitinho brasileiro”, que se trata de uma maneira mais leve e prática de contornar as diversidades da vida. Nesse aspecto, a letra da música evidencia a inversão de valores, onde a falta de civismo e a corrupção é a forma correta de reagir diante dos obstáculos.
O historiador Sidney Chalhoub, da Universidade de Harvard, destaca a origem histórica do chamado “jeitinho”, ligada a formação escravista da sociedade brasileira, na época em que a única maneira de conseguir algo seria pedindo favores os senhores mais ricos. Da mesma maneira, os velhos costumes são refletidos nos dias atuais evidenciados pela corrupção, principalmente entre as partes que possuem poder, em que utilizam sua influência para privilegiar-se. Como consequência, as camadas mais pobres sofrem os efeitos das desigualdades.
Além de que, é notório que o processo de formação do caráter moral brasileiro é afetado com as infames atitudes de “pegar um atalho”. Diante disso, se acredita na criação de uma sociedade carente de civismo, não o patriota, mas aquele que sabe conviver em sociedade, em que os valores morais são construídos a partir da interação do sujeito com o meio social.
Nesse contexto, cabe ao Estado criar barreiras contra a cultura do tal “jeitinho”, através de políticas públicas de conscientização e aprendizagem, a fim de esclarecer as consequências dessas atitudes e instigar o bom caráter do povo brasileiro. Ademais, é necessário que o velhos hábitos, vindos de um passado histórico, desde a vinda da família real portuguesa, em que já era notório a corrupção, a atuação do Ministério da Justiça na melhoria do poder público, com o objetivo de se ter um país mais democrático e eliminar brechas para o desvios de recursos da população. Melhorando, dessa forma, o crescimento social e econômico do país.