A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 01/09/2020

Para o sociólogo francês Émile Durkheim, um fato social configura um conjunto de valores estabelecidos em uma sociedade que, dotado de exterioridade em relação ao indivíduo, norteia seu comportamento na conjuntura nacional. Dessa forma, o “Jeitinho” faz presente na sociedade brasileira contemporânea e este busca normalizar os casos de não respeito às regras e desonestidade como se fosse algo cultural. Entretanto, a cultura de transgressão é um problema, já que colabora para os casos de corrupção do país e a transgressão das leis na sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a cultura da impunidade favorece os casos de transgressão das leis no Brasil, uma vez que, quando alguém comente algum delito, tem grandes chances de não ser punido. O Brasil tem uma história marcada na falta de participação de grande parte da sociedade no processo de elaboração de leis e da constituição nacional. Conseqüentemente, os interesses individuais se sobrepõem ao resto da sociedade, colaborando nos graves casos de corrupção e desvio de dinheiro, que se tornam cada vez mais freqüentes. Dessa maneira, aqueles que deveriam dar exemplo de cidadania e justiça estão envolvidos em casos de corrupção, contribuindo para a permanência dessa ideologia na rotina dos brasileiros.

Além disso, é necessário mencionar que as pessoas culpam os políticos corruptos e a ineficiência do governo, mas não agem de forma diferente no dia a dia. Por exemplo, o cidadão que paga o policial rodoviário para não multá-lo está cooperando para a violação da lei. De acordo com o pensador Vygotsky, o indivíduo é fortemente influenciado pelo meio em que está inserido. Nesse sentido, a moda de se aproveitar das situações, de levar vantagem em tudo e  de não respeitar as leis, influencia a cultura transgressora no cotidiano dos brasileiros sendo algo normal.

Portanto, medidas são necessárias para combater o problema. O Ministério da Justiça e Segurança Pública deve dificultar as violações de leis por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar que a punição seja mais severa e eficiente tanto para políticos, que usufruem do poder público para benefício próprio, quanto civis, que cometem pequenos delitos diariamente.Assim, as pessoas pensariam mais antes de infringir leis. Espera-se, com essas medidas, que as pessoas deixem de lado o “jeitinho brasileiro”.