A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 30/09/2020

As leis e regras são mecanismos a serem seguidos por todos, em dado ambiente e em dada situação. Todavia, com as corrupções do dia-a-dia influenciando o comportamento das pessoas, uma cultura de costumes que burlam essas diretrizes é ensinada, persistindo no ‘‘jeitinho brasileiro’’. Com isso, essa constância é ocasionada pela mistura dos núcleos sociais e por uma influência na formação.

Em primeiro lugar, a confusão entre os meios públicos e privados impulsionam a corrupção do cotidiano. Nesse sentido, Sérgio Buarque De Holanda, historiador brasileiro, argumenta que há na sociedade um ‘‘homem cordial’’ que é amistoso e amigável, mas quando é levado para o mundo da política ocasiona as corrupções cotidianas, contornando diretrizes constitucionais.Nesse aspecto, a interação entre esses dois universos causa um entrosamento que proporciona a corrupção, burlando leis e regras em prol de uma maneira mais fácil de realizar desejos que beneficia somente uma parcela de pessoas e negligencia outras. Exemplo desse ‘‘jeitinho brasileiro’’ são os cargos políticos que são oferecidos a amigos e familiares dos políticos eleitos, ao invés de agregar alguém qualificado. Logo, é preciso combater essas pequenas corrupções para evitar a fusão entre esses mundos.

Em segundo lugar, a formação das pessoas permite a persistência de mecanismos que burlam o sistema. Dessa maneira, John Locke, filósofo iluminista, argumenta que o homem é como uma folha em branco que ao crescer e desenvolver adquiri experiência que influencia seus pensamentos e ações. Deste modo, as atitudes assistidas e exibidas para jovens e crianças direciona seus costumes e ao convivem em ambientes que proliferam as ideias de driblar as regras, geralmente na periferia e na classe média, fica enraizado na sua cultura formas errôneas e ilegais, muitas das vezes, para garantir a vitória e a sobrevivência. Exemplo dessas atitudes que guia o pensamento juvenil é a pirataria de filmes e jogos que é transmitida como um ato de esperteza por não pagar pelo conteúdo em questão. Assim, é preciso ensinar a população o caminho correto, evitando desvios que levem a corrupção.

Portanto, o Poder Judiciário, em parceria com o Poder Legislativo, deve realizar ações, como a proibição de indicações a cargos para familiares e amigos, por meio de leis e acordos, da mesma forma que outros códigos são sancionados, para que assim haja o combate a mistura do público e privado, evitando as corrupções cotidianas e dando os cargos a pessoas que sejam qualificas e saibam exercer o trabalho. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com os municípios, deve realizar ações, como aulas que influenciem os jovens a tomarem a atitude correta, por meio de debates sobre o certo e errado, da mesma forma que outro assuntos são discutidos, para que assim a formação juvenil tenha ações positivas , o que evitará a persistência do ‘‘jeitinho brasileiro’’ nas próximas gerações.