A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 18/10/2020

Brasil: um país virtuoso em potencial

Para Sócrates, o objetivo máximo que um individuo pode alcançar na vida é ser virtuoso. Na contramão desse pensamento, encontra-se a persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira. Neste sentido, o “jeitinho” consiste em um modo de agir reprovável e que deve sua existência a um sistema educacional frágil, associado a uma alta taxa de impunidade.

Pois bem, induzir ou manter alguém em erro, com objetivo de obter vantagem, é a definição do crime de estelionato, descrito no art. 171 do Código Penal, o qual visa punir aqueles que agem de má-fé nas relações com terceiros. Nada obstante, infelizmente esse é um dos crimes mais cometidos na sociedade brasileira, e sua ocorrência é tamanha no Brasil, que esse comportamento se naturalizou e recebe o apelido de “jeitinho”. Neste contexto, são poucos os agentes condenados pela prática desse crime, dado seu caráter estrutural. Assim, apenas nos casos de grandes prejuízos ou circunstâncias mais graves é que há persecução penal.

Entretanto, é a educação, ou melhor a carência dela, e não a impunidade a principal fonte desse problema. Afinal, desde pequenas as crianças observam seus pais e pessoas do seu convívio levando a vida do “jeitinho brasileiro”, assim, incorporam a naturalidade desse comportamento ao seu sistema de crenças e começam a agir da mesma forma, a menos que alguém “mais virtuoso” lhe ensine diferente.

Diante do exposto, verifica-se que a persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira é um problema complexo e que demanda atenção estatal. Em primeiro lugar, deve-se reduzir a impunidade , no Brasil, sobre essa conduta, isso pode ser feito através de um aumento da parcela do orçamento público destinada ao Ministério Público, forças policiais e judiciário por parte do Poder Executivo. Em segundo lugar, deve-se educar melhor a sociedade, o que pode ser feito através da inclusão da ética como matéria obrigatória nos currículos básicos do ensino médio. Assim, com adoção dessas medidas, pode-se vislumbrar uma sociedade brasileira mais virtuosa e livre do “jeitinho.