A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 23/10/2020

Sabe-se que não há problema em obter vantagem em uma situação, desde que leis e regras não sejam descumpridas e outras pessoas não sejam prejudicadas. Entretanto, existem pessoas que ignoram o fato de poder estar prejudicando a um terceiro e pensam apenas em si mesmo, existindo até mesmo um nome para isso no Brasil, o conhecido “jeitinho brasileiro”. Com o cenário político do país afogado em escândalos de corrupção e a ausência de leis assertivas para pequenos delitos, a população trata com normalidade atos de desonestidade, mesmo que para os infratores sejam considerados “pequenos”.

Primordialmente, o Brasil é de fato um dos países mais corruptos do mundo no âmbito político e isso fica evidente na pesquisa realizada em 2019 pela organização não governamental Transparência Internacional, onde o país ocupa a 106ª posição, sendo que quanto maior a posição, mais corrupto o país é. Sendo assim, os políticos são o pior exemplo para a população, onde tudo é resumido a um pensamento simplista por parte da população de “se eles podem, eu também posso”.

Ademais, o código penal brasileiro é extremamente brando a respeito de pequenas infrações, logo, fomentando aos praticantes do “jeitinho brasileiro“ a não se intimidarem e persistir tomando proveito de forma desonestas de todo e qualquer tipo de situação, já que muitas das vezes não há a vigência nem mesmo de leis que abranjam delitos mínimos, o que é um erro, tendo em vista não existe mal menor ou mal maior e todos devem ser punidos.

Portanto, é mister que a Polícia Federal junte esforços com o Ministério da Justiça e se empenhem o máximo possível para que os casos de corrupções na política brasileira sejam encontrados e julgados, fazendo com que a justiça prevaleça, eliminando assim esse grande mal exemplo de vida corrupta para a população. Somando-se a isso a atenção do Poder Legislativo acerca do funcionamento e estruturação das leis destinadas a crimes de pequeno potencial ofensivo, que deverá corrigir e criar leis que punam com assertividade e façam o infrator refletir do quão destrutivo um pequeno ato pode ser para uma sociedade em geral. Com as providências supracitadas em funcionamento, é perfeitamente possível mudar um cenário de caos, onde atos de desonestidade se tornam uma marca do povo e recebem até mesmo um nome: jeitinho brasileiro.