A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 30/10/2020
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa existencialista Simone de Beauvoir pode servir de metáfora á persistência do “jeitinho” na cultura brasileira, uma vez que, por mais escandalosa que seja a situação, poucos são os esforços para resolvê-la. Diante disso, indubitavelmente, tal conjuntura advém tanto do individualismo exacerbado quanta da deturpação do politicamente correto.
A principio, é necessário pontuar que, em função da priorização pessoal em detrimento do coletivo, são criados hábitos maléficos para a população. Isso porque, consoante ao filósofo Pierre Bourdieu, no conceito de “Habitus”, o cidadão internaliza e reproduz características do meio no qual está inserido, de modo a ocasionar a manutenção do “jeitinho” brasileiro, devido ao círculo vicioso que obstrui o bem comum. Dessa forma, tanto o “furamento” de uma fila de espera quanto casos de nepotismo- familiares de governantes privilegiados em cargos públicos- causam dano ao sistema social e afetam a ordem. Com efeito, tal cenário apresenta-se como um regresso à democracia e deve ser, imperiosamente, combatido.
Outrossim, por causa dessa ausência de coletividade, há uma tendência degradada de más ações retratadas como comum. Conforme índice da temática, do IPCI Brasil, mais de 75% dos brasileiros optam por métodos mais fáceis e incorretos, situação essa que afeta, inclusive, as decisões políticas. A troca de votos por favorecimento do candidato, por exemplo, é um retrato da corrupção, a qual faz, também, referência ao “jeitinho” da sociedade, pois o indivíduo acredita que sua ação individualista é mínima e não atrapalhar as demais pessoas, contudo, causa grandes danos à esfera pública.
É mister que o Estado tome medidas para atenuar o quadro atual. Destarte, urge que o Ministério da Educação- órgão responsável por formar cidadãos- crie, em consonância com as secretarias municipais, uma área matéria voltada para a consciência coletiva, desde o ensino fundamental, ratificando a importância das boas ações na modernidade e guiando a próxima geração a combater atos corruptos, a fim de abolir essa origem errônea brasileira. Essa ação pode ser efetuada por meio da contratação de profissionais da área sociológica e ética, os quais lecionarão nas escolas públicas e privadas para os alunos, além de palestrarem nos campos midiáticos acerca dos danos causados pela problemática, em busca de informar o público-alvo. Somente assim, será possível progredir socialmente e extinguir tal “jeitinho”.