A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 10/11/2020

De acordo com o filósofo alemão Hans Jonas, em sua obra “O Princípio da Responsabilidade”, as atitudes devem ser pautadas em benefício comum. No entanto, tal prerrogativa não tem se cumprido com tanta ênfase na prática. Sob essa ótica, a grande quantidade de figuras de autoridade desonestas, bem como o ensino superficial sobre ética por parte das famílias e escolas, são fatores preponderantes para condutas flexíveis com o objetivo de vantagem própria.

A princípio, é importante ressaltar que a ligação entre corrupto e político se tornou um pleonasmo, tendo em vista o alto número de governantes denunciados. Por conseguinte, o tecido social passa a tratar práticas que visam o bem comum como corretas, pois não se comparam com o desvio de verbas e erros graves dos políticos. Logo, há um agravamento na situação, e torna um ciclo contínuo de procedimentos antiéticos que são comparados com outros de grau menor. Dessa forma, é preciso analisar o pressuposto de Dan Ariely, que retrata as atuações baseadas na flexibilidade de leis, como um erro, independente da forma na qual é manifestada.

Além do mais, convém relacionar a ineficácia do setor escolar e da família no ensino dos valores morais comportamentais. Prova disso é o uso da antiga pedagogia, com a aplicação de provas com respostas decoradas e a exigência de notas altas. Ademais, a falta de aplicação de tempo dos pais nas conversas com os filhos e a troca de aprendizagem, deixa os jovens suscetíveis a terem condutas contrárias às normas, pois são mais comuns no Brasil. Logo, é necessário uma mudança no método de ensino das escolas, em soma um maior diálogo, troca de valores e experiências entre pais e filhos.       Infere-se, portanto, que medidas ser tomadas para resolver esses impasses. Cabe ao governo, como instância máxima de administração executiva, ter uma política supervisionada e transparente, com todos os dados dos respectivos políticos e suas condutas, além disso, a mídia seria uma alertadora, em mostrar aos cidadãos que os padrões éticos e morais devem ser seguidos. Por fim, faz-se necessário que o Ministério da Educação inclua atividades, como palestras, reportagens e filmes que mostrem pessoas que sirvam de bons exemplos, além de exigir a presença dos pais no crescimento dos filhos, enaltecendo que o tempo passa, mas os ensinamentos são eternos. Assim, a geração futura terá menos problemas com atitudes antiéticas.