A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 14/11/2020
Em vários filmes e até livros brasileiros, a atuação do “jeitinho” é algo interessante a ser investigado, como, por exemplo, O Auto da Compadecida. Nesse filme temos João Grilo como o usuário desse “jeitinho”, que vive de passar por cima das regras, junto com seu amigo Chicó. Na maioria das vezes, o uso deste, pode ser considerado como malicioso. Todavia, não é algo que se deve julgar em primeira instância, já que a persistência da existência dele vem de antes dos brasileiros e, também, a facilidade de transformação desse modo.
Primeiramente, deve-se lembrar que quem inspirou o “jeitinho brasileiro”, outra forma de ser chamado, foram os povos da península. Em seu livro Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda descreve o conceito “homem cordial” - o que se qualifica como a importância dos sentimentos nas relações - do qual futuramente se tornaria o famoso “jeitinho”. A cordialidade se caracteriza, principalmente, pela confusão existente entre as relações privadas e públicas. Em virtude disto temos o surgimento desse modo, como se levasse o lado familiar e amigo para o trabalho no dia a dia.
Do mesmo modo que a cordialidade se transformou no “jeitinho brasileiro”, este ultimo também pode se transformar em corrupção. O famoso “jeitinho” também se caracteriza por contornar a situação, ou achar uma brecha na lei, ou seja simplificar o modo de resolver problemas. Isso é tão comum no cotidiano brasileiro que estes não percebem os maus causados por suas ações. Existe um lado bom desse modo, porém o “jeitinho” pode ser usado para passar por cima das regras e burlar a lei, ou seja tirar vantagem de uma situação. Quando isso acontece, as pessoas se convertem em corruptas, por isso persiste até os dias de hoje.
Levando em conta esses aspectos, não há muita coisa de que possa ser feita, porém ainda pode-se usar os recursos da educação e bom senso. Aplicando as escolas uma nova didática de honestidade e o bom uso do “jeitinho brasileiro”, realizando atividades, gincanas e até palestras se possível. Trabalhar o bom senso da população, fazendo projetos como, por exemplo, a venda de picolés sem qualquer pessoa para fazer a venda. Dessa forma pode se concluir que mesmo com essas mudanças o “jeitinho” continuara existindo, por se tratar de algo ambíguo, nem bom nem ruim.