A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 13/11/2020

Assim como na antiguidade, onde o voto de cabresto — compra de votos ou ameaças e a prática de agressões para conseguir votos — era muito utilizado pelos coronéis, como uma forma de conseguir com que seus candidatos de interesse fossem eleitos. Atualmente, a ideia de resolver um problema de modo mais prático, porém, nem sempre correto, faz-se presente. O “jeitinho brasileiro” — maneira menos burocrática de resolver questões cotidianas — persiste intrinsecamente na sociedade brasileira, como subproduto de uma cultura histórica de corrupção enraizada no país e do individualismo social por parte da população.

Em uma primeira perspectiva, sob a ótica sociológica, o jeitinho brasileiro é fomentado pela cultura histórica implantada no país, visto que, desde o século XX com a utilização do voto de cabresto, esta prática do jeitinho se tornou cada vez mais recorrente. Entretanto, esse cenário fundamenta-se no ideário de individualismo social em que, cada indivíduo da importância apenas para os seus interesses, gerando assim uma sociedade pautada no individualismo e como consequência desse ideário, ocorre o aumento da prática do jeitinho.

De acordo com Hannah Arendt “quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada”. De fato, o jeitinho brasileiro vem sendo amplamente utilizado e já não se é observado mais como um modo facilitado e errado de agir para alcançar os objetivos desejados na contemporaneidade nacional. Isso por que, a sociedade é pautada no individualismo social, o qual fomenta a ideia de que qualquer atitude é válida mesmo que erronia e ilegal para que os interesses pessoais de cada indivíduo seja cumprido, e com isso a ideia do “jeitinho brasileiro” para resolução para qualquer situação encontra-se em constante crescimento dentro da sociedade brasileira.

Logo, a fim de combater o grave cenário da prática do jeitinho brasileiro para se resolver problemas, e construir nas mínimas expressões, uma sociedade mais honesta e consciente, o Poder Executivo Federal, em conjunto aos Governos Estaduais e Municipais, deve promover — a partir de expressivos esforços operacionais e orçamentais — políticas públicas de incentivo a sociedade para não utilização do jeitinho brasileiro de forma ilegal para alcançarem seus objetivos e promover propagandas que sejam transmitidas em canais de comunicação no horário nobre sobre a conscientização de como a prática do “jeitinho” pode se tornar algo prejudicial aos indivíduos, rompendo assim, com a cultura histórica dessa prática implementada desde a antiguidade no Brasil.