A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 13/11/2020
Desde o Iluminismo, é compreensível que a sociedade só se desenvolva quando alguém se torna sensível aos problemas dos outros. Porém, o popular “jeitinho” brasileiro, que se caracteriza por obter vantagem em benefício próprio, vai contra esse ideal iluminista. Portanto, é necessário analisar as causas e consequências de tais problemas na estrutura social.
Em primeiro lugar, vale destacar os fatores que levaram à formação desse comportamento cultural na nação brasileira. Segundo o historiador Sérgio Buarque de Holanda, no livro Raízes do Brasil, as relações afetivas têm sido utilizadas pelos indivíduos como ferramenta de promoção da sociedade ao longo da história. Nesse caso, é comum na realidade contemporânea, por exemplo, nomear pessoas que não possuem arquivo técnico para exercer determinado cargo público e fazer ultrapassagens de filas por meio de conhecidos. Portanto, o surgimento desse costume parece impedir a seleção impessoal de alvos, o que é essencial no Estado de Direito.
Além disso, é importante notar que a persistência do jeitinho confirma o fracasso do individualismo e da moralidade. Segundo o filósofo Immanuel Kant, toda pessoa deve ser tratada como um fim em si, além de ter a obrigação de agir eticamente. Nessa conjuntura, verifica-se que o povo brasileiro se opõe a essa realidade, pois há uma soberania do “eu” em detrimento do coletivo, além de o próximo ser tratado como “trampolim” para determinado ganho individual.
Conclui-se portanto, que a persistência do jeitinho é um desafio complexo que precisa ser enfrentado. Para tanto, as instituições escolares responsáveis pelo estímulo à consciência crítica, devem buscar sob a supervisão do Ministério da Educação (MEC), reformular algumas diretrizes curriculares, inserir disciplinas cívicas e solidárias, de forma a incutir a ética e os valores morais nas gerações presentes e futuras. Desta forma, os indivíduos agirão de acordo com a ética e a moral de Kant, e o país será estabelecido na verdadeira condição de país legal e democrático.