A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 13/11/2020

A propaganda de cigarros com o jogador Gérson nos anos 70, cultuava a mentalidade de tirar vantagem em tudo. A filosofia mais vívida no povo brasileiro, eternizada nas canções de Bezerra Silva, é a de que malandro é malandro, mane é mané. Dessa forma, dois fatores devem ser destacados: tanto o jeitinho dos políticos quanto o ponto positivo em usá-lo.

Dessa maneira, o problema é que o jeitinho se transferiu para o âmbito jurídico e fez do Brasil o país das leis que não são cumpridas. Até mesmo a Constituição aplaude a malandragem, pois o cidadão não é obrigado a produzir provas contra si próprio. O maior exemplo é a Lei Seca, elaborada para acabar com alto número de mortes no trânsito provocadas por motoristas embriagados. Para se ter ideia, foi preciso chegar ao rigor zero para que a lei seja cumprida, entretanto, ainda assim, a Procuradoria-Geral da união contesta no STF (Supremo Tribunal Federal) dizendo que é inconstitucional.

Todavia, há que considere que o jeitinho brasileiro nem sempre é algo ruim. Alguns anos atrás, era comum a comercialização de fichas de passagem do transporte coletivo. As transações nas paradas se tornou algo comum e profissional, garantindo renda aos ambulantes. Assim, os que negociavam vale-transporte dessa maneira viam, nesse privilégio, uma alternativa para turbinar a compra do pão de cada dia. Ainda, a implantação de um sistema de cartão de crédito com passagens não evitou a comercialização desse vale, e a prática está novamente na rua.

Dito isso, são necessárias ações capazes de remodelar as leis, evitando a formulação de brechas. Assim, o poder Legislativo junto com o Ministério da Justiça deve revisar as leis que foram criadas a partir da Constituição Cidadã, buscando amarrar as pontas. Espera-se, com essa ação, que a malandragem de alguns brasileiros seja evitada. Isso porque o malandro não espera que se torne o mané.