A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 13/11/2020

A perpetuação dos modos brasileiros

No livro “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro é visto como um homem cordial, fruto de suas origens ibéricas e de povos da península, onde a solidariedade em relações afetivas era predominante. Consequentemente, faz parte do senso comum que existe um “jeitinho brasileiro” que perpetua na sociedade, de modo que as relações interpessoais são prejudicadas com a corrupção e escândalos na política devido à falta de respeito em situações que exigem a impessoalidade. Dessa forma, cabe analisar as raízes desta problemática e suas diversas faces.

Em primeira instância, cabe ressaltar que da mesma maneira que os hábitos corriqueiros são prolongados caso não haja correção, o modo como o homem brasileiro se relaciona é resultado de anos de história sobre a formação da população nacional. Sabe-se que o Brasil passou por diversos períodos de exploração desde a chegada dos portugueses, fato que influenciou na administração da colônia. Desde o patrimonialismo que permitia que o rei escolhesse seus entes queridos para a ocupação de cargos do Estado, como nas capitanias hereditárias, até o período do Brasil República no coronelismo, onde grandes oligarcas e latifundiários aproveitavam-se de seus privilégios para controlar em quem a população votaria, existem diversas passagens na história que exemplificam um nepotismo e um abuso da afetividade, mesmo com tensão, naturalizado na sociedade. Como por exemplo, houve um escândalo envolvendo o atual presidente Jair Bolsonaro, em julho deste ano, quando disse pela primeira vez que cogitava nomear seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro para o cargo de embaixador nos Estados Unidos. Desde então, ele foi questionado se a nomeação não configuraria nepotismo e, portanto, seria ilegal. Assim, é necessário que mudanças sejam efetuadas para que uma sociedade mais justa seja alcançada.

Conclui-se que, o “jeitinho brasileiro” é uma herança da educação e da cultura do povo, algumas vezes visto como algo positivo, com a imagem de um povo alegre, brincalhão e intimista, outrora negativo, fazendo uma mistura entre respeito e intimidade prejudicial em situações rígidas, como na escolha de cargos eleitorais. Portanto, para resolução destes embates, a participação das famílias é o principal meio de educar os jovens sobre como manter a postura em situações impessoais e diferenciar amizade de serviço. E o Estado, por sua vez, deve administrar corretamente o país, fazendo-se de exemplo para a população. Prestando conta de tudo que é feito e respeitando as normais constitucionais. Espera-se assim, que este tal comportamento brasileiro se torne algo apenas positivo.