A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 04/12/2020

Em meados do ano de 1936, Sérgio Buarque do Holanda lançou o livro “Raízes do Brasil”, no qual ele aborda o tema da cordialidade brasileira. Dessa maneira, a obra fala sobre o comportamento que faz o indivíduo aderir à práticas condizentes com o “jeitinho brasileiro”, ou seja, a corrupção. Ainda mais, o tal “jeito” conterrâneo observado já na década de 30 é citado como elemento persistente, o que revela ser uma “raiz” em território nacional, já que ainda se faz presente em meio à todos. Nessa perspectiva, cabe-se de antemão analisar seus princípios: ora no processo de formação educacional precária, hora no falho sistema legislativo.

Em primeiro lugar, é importante ter em conta que a educação é um dos principais pilares na construção de um país desenvolvido. Ademais, tendo em conta que o Brasil ocupa a nona posição na economia mundial, torna-se racional pensar que o Estado em questão possui em sistema de ensino eficiente. Contudo, o que acontece é justamente o contrário e o resultado disso é refletido nos mais de 79% dos cidadãos que preferem usar o “jeitinho brasileiro” em vez de obedecer as leis, segundo pesquisa da USP, (Universidade de São Paulo). Nesse sentido, entende-se como a situação caótica é de responsabilidade do Governo, mediante à falta de instrução no período escolar, o que resulta em uma sociedade mais desviada das leis instauradas.

Faz-se mister, ainda, salientar as leis pouco punitivas que fazem com que os indivíduos sejam livres para praticar suas audácias sem medo das punições. Dessa maneira, um levantamento feito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), analisou cem homens dentro de uma sala de aula, sendo que 25 deles eram atores que colavam as respostas das provas e infringiam regras, sendo assim, aqueles encorajados pelo exemplo de benefício e não punição também cometiam atos errôneos. Tanto assim, fica claro como um quadro em que as leis são pouco efetivas, as pessoas tendem à praticar atos, supostamente punitivos, ao qual não são levados à justiça, o que fomenta os demais cidadãos a realizar, muita das vezes, o maléfico “jeitinho brasileiro”, o que se torna preocupante.

Fica claro, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um país onde as práticas das raízes do Brasil não sejam corrosivas ao corpo social. Dessa forma, urge que o Governo Federal, como instância máxima de administração do Poder Executivo, atue em favor da população, através da criação de projetos educacionais, por meio das matérias de filosofia e sociologia, que ponham em pauta a submissão da cordialidade às leis nacionais. Logo, somente assim, mediante a educação, um maior contingente poderá seguir das leis sociais para um melhor convívio entre todos, sem benefício próprio de uns sob os outros.