A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 22/11/2020
No livro “Cidadania no Brasil: uma longa jornada” do autor Murilo de Carvalho, é retratado que ao longo dos séculos XVI ao XX a formação do país foi marcado por práticas ilícitas em prol de benefício próprio tanto na esfera pública quanto na privada. Fora das páginas o cenário se corrobora na medida em que, conforme dados do jornal O tempo, 79% dos brasileiros optam pelo “jeitinho” ao invés de obedecer a lei sempre que possível. O que configura em um grave problema social, ao passo que segundo o filósofo Sócrates, os erros são consequências da ignorância humana.
A priori, pode-se afirmar que a questão tem raiz histórica e cultural. Para ilustrar, o período aurífero no século XVIII, foi caracterizado pelos desvios e contrabandos das pedras preciosas que deveriam ser entregues à Coroa Portuguesa sob a forma de impostos. Ademais, ainda é notório nomeações de familiares e amigos de políticos em cargos públicos comissionados, como manobra política para atender aos mútuos interesses pessoais, por meio do desvio de verbas públicas, que por conseguinte configuram na ausência de recursos para promoção dos Direitos Fundamentais, previstos pelo artigo quinto. O que configura em um grave obsoleto social.
Outrossim, vale salientar que essa lenta mudança de mentalidade social, em consonância a ausência de acesso à tais informações e debates construtivos são fatores que cooperam na dificuldade de intervenção do problema. Ainda nesse sentido, vale citar que de acordo o sociólogo francês, Émille Durckeim, a sociedade funciona como um organismo biológico; desse modo se uma célula (indivíduo) for afetada, todo o organismo (sociedade) sofrerá as consequências.
Urge portanto, medidas de intervenção para o impasse. Cabe ao MEC alterar sua Base Nacional Comum Curricular (BNCC), por meio da inclusão na grade curricular de ciências humanas do ensino fundamental as causas e consequências da resistência do jeitinho brasileiro, com intuito não só de informar como também despertar o senso crítico nos alunos desde seus anos iniciais e reduzir os impactos da mazela no organismo social.