A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 13/12/2020

Registrado e explicitado na história do Brasil há mais de um século, nas famosas ‘’Leis pra Inglês ver’’, que funcionavam como mecanismo para burlar as demandas geopolíticas da Inglaterra, na época, o ‘’jeitinho brasileiro’’ parece ser a especialidade da casa. No entanto, algo claramente negativo, pois não obedecia a tratados nem acordos geopolíticos, e com mais de um século de idade, ainda persiste na sociedade brasileira, sobretudo por falta de educação adequada. Desse modo, uma análise acerca das causas e consequências do ‘’jeitinho brasileiro’’ faz-se necessária.

Em primeiro lugar, é fundamental a pontuação dos motivos que instigam esse estilo de vida fora da lei brasileiro. Nesse sentido, constata-se que a falta de educação básica voltada ao senso crítico nas escolas é uma das principais causas, na medida em que é um ensino que auxilia a cidadania na assimilação do certo e do errado, que é elemento essencial à moral e, consequentemente, à formulação de leis, ou seja, falta ao cidadão, por déficit educacional primário, a noção de que as leis são criadas com a finalidade de manter a disposição harmônica da sociedade.

Ademais, é, do mesmo modo, imprescindível a marcação das consequências do ‘’jeitinho brasileiro’’ para a cidadania. Nessa perspectiva, esses efeitos negativos podem ser sentidos na instabilidade em relação ao cumprimento das leis por parte da população. A exemplo disso, pode-se apontar esses efeitos desde as classes menos favorecidas economicamente, como em pequenos furtos e assaltos, até os mais favorecidos, como no caso de sonegação de impostos entre grandes empresários e atos de corrupção praticados por políticos, todos atos que, caso efetuados por todos os cidadãos brasileiros, proporcionariam um cenário caótico, de acordo com a concepção ética de Kant.

Depreende-se, portanto, que medidas buscando a mitigação do ‘’jeitinho brasileiro’’ são de extrema importância para a sociedade. Para tanto, o Ministério da Educação, principal órgão gestor dos processos e recursos educacionais brasileiros, deve promover de modo eficiente o ensino do senso crítico nas escolas. Isso por meio de, além de palestras e exposições administradas por especialistas da área, debates e discussões de temas-chave, tais como política e identidade nacional, pelos alunos, e a fim de que a sociedade brasileira, agora com as suas noções de certo e errado atualizadas, se revigore até níveis insignificantes de ‘’jeitinho brasileiro’’.