A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 13/12/2020
De acordo com a Lei da Inércia de Isaac Newton, a tendência de um corpo em repouso é de permanecer parado até que algo exerça uma força sobre ele. De forma análoga, atos de corrupção considerados pequenos persistem na sociedade, pois essas situações se transformaram em um hábito comum para parte dos brasileiros, e essa banalização corrobora para que essa problemática seja difícil de ser combatida. Desse modo, esse comportamento, também chamado de “jeitinho brasileiro”, perdura, em virtude da ausência de discussões e esses costumes têm origem desde muito cedo.
Antes de tudo, a falta de conversações sobre esse assunto contribui para a banalização dele. Dessa maneira, segundo o filósofo alemão Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa perspectiva, esses comportamentos corruptos tornaram-se parte do senso comum de uma parcela da população. Assim, faz-se necessário pautar essa temática em discussões. Contudo, é difícil debater acerca desse tema, porque, devido à essa naturalização, os indivíduos não dão atenção para essa temática e, desse jeito, não há espaço para reflexão.
Ademais, depreende-se que a busca por benefício próprio é uma das causas da permanência desses casos. Sob esse viés, na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Nesse sentido, essa busca incessante por valorização pessoal faz com que esses casos continuem acontecendo. Outrossim, eles, geralmente, têm origem na infância, dado que algumas crianças têm o hábito do compartilhamento de resoluções das atividades endereças a eles. Dessa forma, esse comportamento, muitas vezes, é encarado como inocente, mas, ao naturalizar esses atos, os indivíduos estão banalizando a corrupção e essas situações podem evoluir para ações cada vez mais corruptas.
Portanto, é evidente a necessidade de combater a Inércia para com esses hábitos. Assim sendo, o Ministério da Educação (MEC), com o apoio de estudiosos de Sociologia, deve, por meio de palestras pedagógicas, promover o debate acerca desse comportamento. Nesse contexto, esse projeto seria realizado em escolas de todo o país, contando com a presença de sociólogos que expliquem as origens desses atos e como evitá-los. Além disso, essas dinâmicas seriam abertas para as comunidades locais e os educandos seriam estimulados a transmitirem as lições adquiridas para seus respectivos responsáveis. Em suma, a partir dessas ações, essa corrupção poderia ser combatida.