A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 15/12/2020
Segundo o filósofo John Locke, os seres humanos são frutos de suas próprias experiências. Nesse contexto, o contato rotineiro da população brasileira com o “jeitinho brasileiro” faz com que sua persistência torne-se um desafio a ser combatido, pois, por estar enraizado na população, pode desencadear um maior número de corrupção e infração de leis.
Primeiramente, vale destacar a corrupção como um processo histórico que perpetua-se no Brasil desde sua colonização pelos portugueses. Nesse sentido, tem-se que os atos corruptos, por serem passados ao longo das gerações, tendem a serem naturalizados e adotados pelo povo como uma forma “fácil” de obter sucesso na vida. Desse modo, o psiquiatra Carl Jung explica que o “inconsciente coletivo” são padrões culturais reforçados em uma sociedade por meio da repetição ao longo das gerações, portanto sendo algo negativo quando vista a persistência da corrupção nas esferas sociais. Outrossim, é importante pontuar o alto índice de infrações legislativas como consequência da perpetuação e persistência do “jeitinho brasileiro” no país. Pois, é comum que, em diversas situações, o brasileiro tenha a necessidade de adquirir vantagens e sobressair-se de maneira ilesa da conjuntura que lhe foi imposta. Dessa maneira, segundo o Índice de Percepção do Cumprimento da Lei (IPCLBrasil), 79% dos entrevistados sempre que possível optam pelo jeitinho em vez de obedecer a lei, o que evidencia que o ato corrupto como padrão cultural é um desafio para manter a sociedade harmônica e cordial.
Por fim, visto que a persistência do “jeitinho” acarreta consequências para a sociedade, cabe ao Estado - sob coordenação do Poder Executivo, que tem a função de executar as leis existentes - fiscalizar e colocar em prática, de fato, as leis elaboradas e aprovadas no senado, por meio de uma maior fiscalização na população e nos setores públicos, além de multas para as autoridades que colaborarem com o descumprimento de leis no Brasil, com a finalidade de diminuir a corrupção enraizada e minimizar a utilização do “jeitinho” no âmbito social do país.