A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 16/12/2020
Na obra “Raízes do Brasil”, escrita pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda, há o conceito do Homem Cordial, um retrato do brasileiro, uma pessoa afetiva e calorosa, que utiliza esses atributos em situações formais para conseguir o que deseja de maneira corrupta. Desse modo, o jeitinho brasileiro é uma consequência do Homem Cordial, pois com essa forma de agir, é possível encontrar uma brecha para quebrar as regras. A persistência do jeitinho brasileiro encontra-se nas relações cotidianas e até nos atos de corrupção política.
Devido a criação do personagem “Zé Carioca”, pelos estúdios Walt Disney no início da década de 40, o Brasil ganhou um novo personagem, que é o símbolo da malandragem. O papagaio reflete até hoje as ações da grande maioria dos brasileiros com seu “jeitinho” corrupto para escapar de situações problemáticas. Além disso, essa cultura do país também é refletida no âmbito governamental, desde a chegada dos portugueses nas terras brasileiras.
Convém lembrar o voto de cabresto, uma situação em que praticamente não se podia escolher em quem votar por conta do esquema do coronelismo, baseado no suborno. No contexto atual, pode-se citar a operação Lava Jato, em que a polícia federal investiga um esquema de desvio e lavagem de dinheiro. Com isso, é possível concluir que a verba pública não é utilizada para beneficiar a população, mas sim para enriquecer um grupo de políticos.
Portanto, para combater a persistência do jeitinho brasileiro na sociedade é necessário conscientizar as pessoas sobre a problemática dessas ações desde crianças. Assim, o MEC, por meio de atividades lúdicas que mostrem a importância da honestidade, fará com que a cultura da malandragem não seja mais um retrato do homem brasileiro, e que os atos de corrupção sejam visto motivo de espanto, não como uma característica da população do país. Dessa forma, o Homem Cordial deixará de existir na sociedade e será apenas um conceito.