A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 08/01/2021
“Ordem e Progresso”. O emblemático bordão de bandeira brasileira foi constituído pela corrente filosófica positivismo —filosofia bastante popular na época—, com intuito de representar uma pátria avançada e organizada. No entanto, quando percebe-se a persistência do “jeitinho brasileiro” na sociedade, fica nítido que a atualidade implica o ideal brasiliano outrora enfatizado. Indubitavelmente, é paradoxal, pois, em uma nação cujo o seu lema assegura a ordem e o progresso, malandragens ainda possuam espaços no país. Por isso, faz-se essencial analisar os aspectos mais históricos e subjetivos dessa conjuntura, a fim de superá-los para conectar os valores positivistas da bandeira ao presente.
Vale defender, inicialmente, que o problema está relacionado aos padrões construídos pela consciência coletiva. Nesse sentido, a gênese desse fator decorre do egoísmo endêmico herdado como herança do período colonial, no qual práticas trapaceiras —roubar terras e pratrimônios, atrasar-se para encontros, respeitar as pessoas de forma seletiva, entre outras atitudades incorretas— eram normativas e cotidianas. No entanto, segundo o filósofo Michel Foucault, é necessário mostrar ao ser humano que ele é suficientemente apto a transpor normas errôneas feitas em outros momentos históricos e preparado a criar novas ideais sobre as circunstâncias ao redor.
Além desse artifício de opressão, outro vetor que influencia nessa permissividade acerca do “jeitinho brasileiro” é a vida corrupta vivida por muitos cidadãos. Isso porque a experiência social presenciada por cada um desses indivíduos emprobece a semântica de justiça e os tornam mais propensos a errar. Ademais, tal fato está ligado à carência de senso crítico presente na subjetividade coletiva mais agravada —não por decisão individual, mas por indução civil—, que prejudica a perpeção de uma visão mais virtuosa sobre o âmbito moral e ético, o que faz as pessoas sentirem-se livres para agir da forma como quiserem. Desse modo, com a conviniência fomentada pela sociedade —que leva apenas em questão as vontades momentâneas de cada sujeito—, fica mais árduo combater o “jeitinho brasileiro”.
Depreende-se, portanto, que os impasses supracitados estabelecem desafios a vencer. Para tanto, o Estado, na imagem do Ministério da Educação (MEC), por meio dos docentes da sociologia —haja vista a ciência desses profissionais inerente à formação cidadã— deve elaborar minicursos instrumentais sobre as nocividades, as quais o “jeitinho brasileiro’ traz à população, a fim de conscientizar os cidadãos. Paralelamente, necessita-se que o corpo social possua parte ativa nesse processo, mediante o sancionamento dessas medidas, e pressione o Poder Executivo a executá-las em escala nacional, com o objetivo de atenuar —por conseguinte— a cultura do “jeitinho”. Enfim, a partir dessas ações, o ideal “Ordem e Progresso” poderá, de fato, vincular-se à contemporaneidade.